sexta-feira, 22 de abril de 2011

RELAÇÕES INTER-PESSOAIS NO COTIDIANO E APRENDIZAGEM





Se o desenvolvimento da inteligência exige a ação e a interação com o objeto de conhecimento, quanto menos se lida com esse objeto, menor desenvolvimento ou nenhum ocorre.
Quando falamos do tema “Aprendendo a lidar com Gente – Relações Inter pessoais no cotidiano” (Editora Edufba), que é título e tema de seu livro falamos também das interseções de estruturas de pensamento?
Sim. Na época em que Piaget concretizou sua obra não estava em voga a expressão Rede. Não no sentido que se evidencia na atualidade. Mas, ele sem dúvida foi um precursor da idéia que essa expressão atual traz contida. A idéia de conexão. Isto se considerarmos cada indivíduo como portador de conhecimentos únicos e de estruturas de pensamento únicas de acordo com sua constituição biológica, oportunidades sociais e culturais, experiências e interações. Se pensarmos, como ele nos demonstrou, que existe uma matriz cognitiva que possibilita o desenvolvimento da inteligência e que esta matriz é comum à espécie humana, mas que para esse desenvolvimento ocorra é imprescindível a ação, torna-se  inquestionável a exigência das relações interpessoais nessa perspectiva.
Para avançar em meus conhecimentos preciso conectar-me comigo mesmo, com as informações e saberes que disponho e preciso conectar-me com o outro que, invariavelmente, dispõe de conhecimentos informações e saberes diferentes dos meus. Mediante confrontação, comparação e reflexão, desse processo interativo, resultará o avanço do conhecimento pessoal e coletivo. Aí estão as interseções de estruturas de pensamento.
Elas poderão ser mais ou menos abrangentes, confirmadas ou negadas. Mas, de qualquer forma representarão avanços em domínios cognitivos. Assim, tornam-se essenciais às relações interpessoais. Quanto mais elaboradas, conscientes e respeitosas elas sejam, maior será a extensão das conquistas em estruturas de pensamento. Indivíduos que dispõem de conhecimentos específicos e não se permitem submetê-los a trocas, a equivalências e a prova mediante interações pessoais e grupais deixam de receber contribuições que, muitas vezes, não integram seu particular campo perceptual e de conhecimentos.

Qual a importância das relações interpessoais na escola, quando falamos de aprendizagem?
Por meio das relações interpessoais, acredito, pode-se trabalhar a maioria das grandes mazelas que castigam a humanidade. Senão vejamos constrangimento, preconceito, discriminação conflito, corrupção, estresse, guerra, destruição ambiental, ignorância, exploração e mais e mais.
O processo de aprendizagem está atrelado às relações interpessoais. Nesse âmbito encontra-se um infindável número de sujeitos, circunstâncias, espaços e tempos. As relações familiares, sociais, institucionais estão estreitamente relacionadas aos resultados finais de avanços ou estagnações em processos de aprendizagem.
Reduzindo-se à sala de aula temos nas relações e interpessoais entre professores e alunos e a construção de vínculos com a aprendizagem, um dos aspectos fundamentais a serem considerados. Cada um pode reportar-se a experiências em que passaram a interessar-se ou a rejeitar determinadas “disciplinas” a partir de certos tipos de relações interpessoais. Seguidas vezes tenho depoimentos de alunos que detestavam um assunto e passam a “gostar” e interessar-se pelos mesmos a partir da presença de um novo professor. Ou seja, o professor passa a representar um vínculo favorável ou desfavorável com determinado tipo de conhecimento.
Se o desenvolvimento da inteligência exige a ação e a interação com o objeto de conhecimento, quanto menos se lida com esse objeto, menor desenvolvimento ou nenhum ocorre. Estabeleça-se então a relação com as conseqüências das nossas de “ensinar-se” a um aluno por meio de relações interpessoais negativas, a não gostar de aprender. Especialmente levando em conta a necessidade de sobrevivência com que vem se caracterizando aprendizagem. Costumo dizer que a sala de aula é um verdadeiro fenômeno social. Tudo que ocorre no contexto social maior ali estará representado. Lidar com as conexões que emergem e estão subjacentes nesse espaço exigem perspicácia e atitudes de observação e pesquisa continuada por parte do professor. As trocas interpessoais são incessantes e permeiam todo e qualquer procedimento de aprendizagem.

As dinâmicas de grupo ajudam na escola?
Recentemente ministrei uma disciplina em um curso de Pós Graduação, em Salvador, cujo nome seria Dinâmicas de Grupo e Técnicas de Ensino. Solicitei à Coordenadora do curso a mudança desse título para Dinâmica de Grupo e Técnicas de Ensino.           Na verdade seria somente a retirada de um s. Vou explicar o porque do meu pedido. Cada grupo tem uma dinâmica, um movimento especial. A soma das partes não corresponde ao todo. Quando se forma um grupo processa-se uma “química” entre os sujeitos que o integram.
É curiosíssimo e o professor deve estar atento para decifrar o que resulta desse conjunto de sujeitos colocados em um espaço, num determinado tempo, para desenvolverem atividades específicas. Ele poderá descobrir muito sobre cada um dos integrantes do grupo, sobre o grupo e sobre ele mesmo. É interessante lembrar que um mesmo grupo é um com determinado professor e outro com outro professor. Os conhecimentos sobre o como lidar com o grupo e suas relações constituem-se em um pré – requisito para a aplicação de técnicas de ensino.
Quanto às “dinâmicas de grupo”, encontramos inúmeras publicações que tratam do assunto, apresentam sugestões, roteiros e esquemas. São preciosos e interessantes recursos. Como o próprio nome sugere dinamizam o grupo que se submete à aprendizagem. Contudo, se o professor não tiver o respaldo de conhecimentos sobre a dinâmica do grupo, os resultados podem ser nefastos, gerando situações ridículas constrangedoras, inibidoras e de desconfortos para os integrantes do grupo.

Por que o processo de comunicação, muitas vezes, é tão difícil?
Primeiramente porque não existe igual. Os seres humanos são únicos em sua historicidade e em sua constituição bio-psico-social. Por outro lado, somos egocêntricos. Sempre a vida toda. Não somente até os sete anos, como nos foi ensinado. A leitura de mundo de cada ser vivente se faz pelo que ele é como pessoa em um tempo e num espaço. O querer de cada pessoa está condicionado a estes mesmos determinantes. Assim cada um de nós tem necessidades relativas aos nossos próprios percursos de vida e características pessoais e sociais. Imagine-se então quando somos colocados para conviver e trocar pensamentos, idéias, instruções sobre alguma coisa, qualquer que seja o tema. Cada um irá buscar no seu mundinho pessoal os elementos que lhes são próprios e coerentes com o que aprendeu e fazem sentido para si mesmo. Só que cada pessoa se reportará ao seu repertório pessoal que é intransferível.
Na interação teremos o encontro desses repertórios. Então, não bate , não casa, não coincide o que eu penso, o que eu acredito, a minha experiência com a do outro. O meu certo, necessariamente não é o certo do outro. O meu jeito de fazer é diferente do jeito de fazer do outro e por ai vai.
Quando se diz algo, quando se passa uma instrução, um princípio se acredita que o outro está traduzindo em conformidade com aquilo que eu queria dizer. Entretanto, isto necessariamente não acontece. O outro traduz a mensagem que eu lhe passo pelo seu repertório pessoal, sempre e inevitavelmente diferente do meu. Daí a necessidade de conferir e clarificar percepções, relativas aos processos de comunicação. A grande maioria de mal entendidos, conflitos, incompreensões pode ser mapeada nesse território.
Estarmos conscientes de nosso egocentrismo é um bom começo para nos comunicarmos melhor com os outros, porque estaremos atentos e tentando decifrar o egocentrismo do outro e assim se possibilita o surgimento de pontes e elos que permitam o trato com convergências e divergências.

Como contornar momentos difíceis sem se violentar?
O princípio de meu trabalho é o seguinte: “Toda a ação individual e social perpassa, antes de tudo, por pessoas. Ou seja, por cada um de nós”.
Assim, o jeito de contornar e o próprio conceito de “momentos difíceis” estarão relacionados a cada indivíduo em particular. Da mesma forma está condicionada a cada pessoa, como um sistema integrado, a sua perspectiva em relação a “se violentar”.
Por esses motivos cada individuo terá suas próprias formas e medidas em relação a essa questão. O que cada um pode exercitar é o seu potencial de aprendizagem, com o qual todo ser humano foi agraciado. Aprendemos sobre tudo, matemática, física, plantas, informática, e mais e mais. Somos mais ou menos submetidos a aprendizagens nesses campos de conhecimento. Mas, aprendemos muito pouco sobre nós mesmos. O que é para mim, pessoalmente contornar? O que é para mim, um momento difícil? O que me violenta? Como essas questões são respondidas pelo outro? Estou pedindo ao outro coisas que ele não tem condições de me oferecer, porque sua historicidade, seu jeito de ser, levam-no a um referencial pessoal que não se coaduna com o meu? É possível negociar? Torna-se necessário o afastamento ou mesmo a ruptura? É necessário enfrentar conflitos para que questões essenciais sejam esclarecidas?
Essas são algumas questões que precisam ser encaradas, em um contexto, para que posições pessoais sejam coerentes e nos possibilitem crescimento no exercício de viver lidando com confortos e desconfortos que integram a existência.

Como compreender o que se passa na cabeça dos jovens?
Uma série de fatores estão implicados nessa questão.
Quero falar da contemporaneidade. Contemporâneo é aquele que vive ao mesmo tempo. Aí novamente entra a idéia de rede, de conexões e de interseções. Posso dizer que meu avô Leônidas é o meu contemporâneo. Ele já se foi, mas em um dado tempo, vivemos juntos. Rafaela e Letícia também são minhas contemporâneas. Calcule-se à distância entre “as cabeças” do meu avô e de minhas netas. E eu estou neste percurso interagindo com esses mundos absolutamente diversos.
É preciso lembrar que o processo de construção cognitiva e de personalidade ocorre em um tempo e espaço com relações que se determinam e interinfluenciam. Aí está a ciência, tecnologia, literatura, cultura, códigos de crenças e valores em permanente movimento e modificações conseqüentes. Some-se a isto tudo as diferenças individuais peculiares a diferentes sexos, faixas etárias, estilos pessoais, ritmos e tempos.
Em palestras que tratam sobre esses assuntos costumo perguntar aos pais e professores:
            - Quantos aparelhos elétricos tinham em sua casa quando você tinha dez anos de idade?
            - Quantos cursos ou atividade extra-curriculares você desenvolvia nesta época?
            - Quantos canais de televisão você assistia?
            - Qual a cena de sexo que mais lhe chamou atenção em suas leituras  ou em programas televisivos?
Ora, todas essas ofertas representaram oportunidades de aprendizagem. E tanto elas ocorreram que nos lembramos delas. Ao compararmos verificaremos o quanto se antecipou e agilizou a oferta de aprendizagens ao jovem atual.
Aí precisamos exercitar uma das capacidades que nos é inerente pela natureza humana que é a atualização. Precisamos aprender nossos jovens.
            Complemento, nossos jovens precisam nos aprender. Precisamos nos ensinar a eles. Temos um repertório respeitável que por muitos motivos eles não dispõem, e precisam e posso dizer estão ávidos de nossos saberes. Mas, muitas vezes, nos colocamos na defensiva ou reagimos às suas colocações sem tentar compreendê-las no contexto atual. Novamente nos deparamos com as relações interpessoais. Dividimos nossas existências em um mundo conturbado. Somos reciprocamente necessários para tentar compreendê-lo e caminharmos juntos.

Como compreender o que se passa na cabeça dos amigos?
Os amigos representam patrimônio incalculável. Eles sinalizam nossas possibilidades, nos dizem verdades, são companheiros nas adversidades e sucessos. Porém, como nós, são gente. E assim sendo, trazem na matriz própria da espécie humana características possíveis de serem consideradas positivas e negativas. As rupturas de amizades, por vezes, são mais dolorosas do que outros tipos de relações. Às vezes porque idealizamos expectativas de seres perfeitos. Precisamos ativar a certeza de que eles não existem. Uma das variáveis que aparecem em todas as relações e que comprometam amizades é a competição.
Precisamos saber que competimos, também, com nossos amigos, adestrar essa tendência pode representar um exercício de aprendizagem para conservarmos amizades sadias.
É preciso, também, dimensionar a tendência pessoal que temos para maximizar condutas que pessoalmente consideramos como negativas. Seguidas vezes uma história de amizade eivada de positividade e contribuições recíprocas desmorona em conseqüência de um único acontecimento para qual não é permitido qualquer tipo de concessão.

Como compreender o que se passa “na cabeça” dos colegas de trabalho?
O que falei em relação aos amigos e aos jovens, feitas as devidas adaptações, também se aplica aos colegas de trabalho.
A compreensão desse relacionamento exige uma contextualização especial face às idiossincrasias do mundo atual e do trabalho no que se refere às leis trabalhistas , processo de globalização, desemprego, rotatividade de exigências, incerteza funcional, etc. As necessidades básicas de sobrevivência, por vezes, se sobrepõem às necessidades de crescimento pessoal e geram comportamentos primários e extremamente questionáveis no que se refere a princípios morais e de respeito ao outro. Muitas vezes as próprias pessoas que assim se conduzem tem consciência da extensão e negatividade de suas ações, mas buscam justificativas contextuais para suas ações. Se instalam dramas pessoais e as conseqüências se manifestam em ansiedade, angustia estresse e outros males. Tenho tido, entretanto com todo esse quadro de dificuldades, muitos exemplos de relacionamentos profissionais em que questões de disputas e competição conseguiram ser resolvido às claras e de forma madura. Ganham todos quando se consegue chegar a este ponto.

O que leva as pessoas a complicar a vida?
Precisamos compreender que cada pessoa tem um estilo próprio no fazer as coisas, bem como para desempenhar papéis. Considere-se cada uma pessoa como um sistema integrado. Vários fatores influenciam e determinam o surgimento desse estilo. É claro que ele pode mudar mediante aprendizagens. Mas as aprendizagens só ocorrem quando o indivíduo se predispõe a concretizá-las. Isto porque aprendizagem é modificação de comportamento. Ou seja, eu faço algo de uma forma e mediante aprendizagem passo a fazer de outra. Então o que leva a complicações da vida? O desconhecimento de si mesmo. O não reconhecer necessidades pessoais importantes. O não estabelecimento de prioridades. O desconsiderar o outro como um universo único e diferenciado em cultura, necessidades, expectativas, objetivos e vivencias.
O desconhecimento do trato a ser dado ao sim e ao não que permeiam a vida. A intolerância à frustração. O não ter coragem de lidar com adversidades. O transferir para o outro a responsabilidade de seus insucessos. O não se visualizar como sujeito de suas próprias ações.

Como tornar mais agradável à convivência em diferentes espaços e minimizar atritos?
Não podemos ser ingênuos. Em determinados casos as pessoas com quem lidamos não estão disponíveis e seus percursos de pensamento e condutas seguem traços paralelos aos nossos. Jamais se encontram. Não ocorre interseção. Usando uma linguagem da informática os programas pessoais não são compatíveis, não existe possibilidade de decodificação recíproca. Porém, como afirma Julio Diniz, o sempre e o nunca são duas palavras muito perigosas. Podem ocorrer mudanças surpreendentes, quando se identifica o que é significativo para uma pessoa e se tenta decifrar seu código particular de crenças e valores.
De uma maneira geral a convivência se tornará sempre mais agradável quando se embasar no seguinte princípio:
Nem só eu, nem só o outro. Mas sim eu e o outro.

Quais são os maiores equívocos nas relações interpessoais?
•Esquecer que o outro é outro;
•Exigir do outro condutas que ele não tem condições de desempenhar;
•Querer que o outro pense como eu penso, goste do que eu gosto, queira o que eu quero;
•Achar que o poder se concentra de um único lado das partes envolvidas em um relacionamento;
•Acreditar que se pode mudar o outro;
•Negar-se como pessoa única;
•Ver a possibilidade de abdicar de um querer pessoal como sinal de fraqueza.

Como podemos considerar os elementos emocionais e irracionais do outro?
Bujold diz com muita propriedade que para se compreender o outro é necessário, a priori, que compreendamos a nós mesmos. Só conseguimos identificar elementos emocionais e irracionais no outro porque eles integram a nossa particular matriz humana. Não somos somente anjos. Também, não somente demônios. O que podemos e fazemos mediante processo de educação é disciplinar instintos e características primárias e destrutivas. Entretanto seguidas vezes elas nos surpreendem emergindo e manifestando reações pessoais que em nada nos orgulham.
Digo que o que mais me desagrada no outro é o que menos gosto em mim mesmo.
Posso não exercer aqueles comportamentos porque já os controlei mediante procedimentos reflexivos e de educação, e, não me permito praticá-los. Mas, feitos os ajustes de relatividade, só consigo decodificá-los porque existem símbolos correspondentes em minha matriz pessoal.

Se o indivíduo não está em processo terapêutico, como percebemos o que está acontecendo ao redor de nós e dentro de nós de forma clara?
Depositar no outro qualquer que seja este outro e mesmo que seja o terapeuta, a possibilidade de percebermos o que está acontecendo ao redor de nós e dentro de nós de forma clara, caracteriza, antes de tudo, uma relação de dependência ou seja, condiciona-se a possibilidade de uma leitura de mundo clara colocada na questão, e, penso coerente, ao processo terapêutico que se submete o indivíduo.
Acredito que nem mesmo os terapeutas conscientes e responsáveis assumiriam uma exclusividade relativa a esta possibilidade de “percebermos o que está acontecendo ao redor de nós e dentro de nós de forma clara”.
Evidentemente que o trabalho profissional terapêutico pode facilitar o processo de ampliação, reflexão e modificação relativa a nossas percepções. Mas, esse processo, também não se esgota na ação desse profissional.
A cada momento nos deparamos com uma multiplicidade de percepções diferenciadas e condizentes com indivíduos que são verdadeiros universos únicos em termos bio-psico-sociais. Lidar com esta diversidade é essencial ao desenvolvimento das relações interpessoais. David Hargreaves nos diz com muita propriedade que “toda experiência se remete a esquemas interpretativos”. Esses esquemas são relativos à historicidade pessoal de cada ser humano e aí estão incluídas infinitas variáveis que vão de sua constituição física, ambiente familiar, cultural, experiências, leituras, mestres etc.
A interação com cada um desses sujeitos nos colocará diante de percepções diferentes elas podem ser convergentes ou divergentes do nosso modo de “ver” as coisas.
Deve-se ressaltar processo de autoconhecimento que pode e deve ser desenvolvido e estimulado pela família, pela escola e por diferentes instituições sociais.
Encarar o autoconhecimento, o conhecimento do outro e a diversidade como matérias ou disciplinas ou áreas de conhecimento como outras quaisquer é uma necessidade inerente a moderna concepção de currículo baseada no princípio da religação dos saberes e da complexidade.
Aprender sobre si mesmo e sobre o outro em um mundo em constante mutação podem transformar-se em procedimentos pedagógicos inseridos como temas principais ou transversais nas mais variadas áreas de conhecimento.
Imagine-se a população mundial condicionada a exigência de trabalho terapêutico para uma interpretação existencial clara. Missão impossível. E o que faríamos com Freud, Emerson, Sócrates, Confício, Platão, Marx, Einstein que, construíram fantásticos paradigmas existenciais mediante observações, aprendizagens estudos e reflexões? E outros tantos exemplares leitores anônimos da vida que, revelam sabedoria e grandeza no exercício de viver?
Lidar com nossas realidades, trocar, conferir são tarefas para todo dia em todos os espaços em que se encontram pessoas. As atitudes de curiosidade, observação, interação e reflexão nos introduzirão no fabuloso mundo do outro e nos tornarão mais compreensivos e solidários, conforme apregoa Vigotsky: na ausência do outro o homem não se constrói homem.


Lucila Rupp de Magalhães - Mestre em Educação, Psicopedagoga, Mediadora, Feurstein's Instrumental Enrichment, Especialista em Relações Interpessoais, Crescimento Pessoal e Metodologia do Ensino Superior. Ex-Diretora da Faculdade de Educação da UFBa, Conselheira de Educação da Bahia, Coordenadora de projetos de pesquisa no MEC, INEP e UFBa, Consultora de diversas organizações públicas e privadas.