terça-feira, 10 de abril de 2012

BULLYING NA ESCOLA






O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são características essenciais que tornam possível a intimidação da vítima.
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de bullying possíveis, relacionamos algumas ações que podem estar presentes: Agredir, Amedrontar, Assediar, Aterrorizar, Colocar apelidos, Chutar, Discriminar, Dominar, Empurrar, Encarnar, Excluir, Fazer sofrer, Ferir, Gozar, Humilhar, Ignorar, Intimidar, Isolar, Ofender, Perseguir, Roubar, Sacanear, Tiranizar, Zoar.
O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.
Algumas características podem ser destacadas, dependendo da situação de cada aluno, diante dos papéis que venham a representar: ALVOS DE BULLYING (são os alunos que sofrem), ALVOS/AUTORES DE BULLYING (são os alunos que ora sofrem, ora praticam), AUTORES DE BULLYING (são os alunos que só praticam) e TESTEMUNHAS DE BULLYING (são os alunos que não sofrem e nem praticam, mas convivem no ambiente escolar onde ocorre).
Os autores são, geralmente, alunos que têm pouca empatia. Pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais tendem a exercer uma autoridade pobre sobre eles, tolerando e oferecendo, como modelo para solucionar conflitos, um comportamento agressivo e/ou explosivo. Admite-se que os que praticam bullying têm grandes possibilidades de se tornarem adultos com atitudes anti-sociais e/ou violentas, podendo vir a adotar, atos delinqüentes e /ou criminosos.
Os alvos são estudantes que são prejudicadas, que sofrem as conseqüências dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si. São, geralmente, pouco sociáveis. Um sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda. São sujeitos com dificuldades de se adequarem ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções negativas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem serem merecedores do que lhe é imposto. Têm poucos amigos, são passivos e não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Tendem a ter baixo desempenho escolar, resistindo ou recusando-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Trocam de escola com freqüência ou abandonam os estudos. Há adolescentes que, com depressão, acabam tentando ou cometendo o suicídio.
As testemunhas são a grande maioria dos alunos, que convivem com a violência e se calam pelo temor de se tornarem as próximas vítimas. Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitos deles, podem se sentir incomodados com o que vêem e inseguros sobre o que fazer. Alguns reagem diante da violação de seu direito de estudar em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Seja qual for às situações poderá haver influência negativa na sua capacidade de progredir intelectualmente e socialmente.
Quando não há intervenções efetivas contra o bullying, o ambiente escolar torna-se inseguro e tenso. Todas as crianças e/ou adolescentes, sem exceção, são afetadas, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos que testemunham as situações de bullying, quando percebem que o comportamento agressivo não traz nenhuma conseqüência a quem o pratica, podem achar por bem adotá-lo, passando a praticar o bullying.
As crianças e/ou adolescentes que sofrem bullying, dependendo de suas características individuais e de suas relações sociais (especialmente a família), poderão não superar, parcial ou totalmente, os traumas sofridos na escola. Tendem a crescer com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima, tornando-se adultos com problemas de relacionamentos. Também há a possibilidade de assumir um comportamento agressivo, ou vir a sofrer ou a praticar o bullying no trabalho (workplace bullying). Em casos extremos, alguns deles poderão tentar ou cometer suicídio.
Aqueles que praticam bullying contra os colegas de escola poderão levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no meio familiar (violência doméstica) ou no ambiente de trabalho (workplace bullying). Como também, muitos autores de bullying, possam vir a se envolver em atos criminosos e/ou delinqüentes.
As testemunhas de bullying também se vêem afetadas por esse ambiente de tensão, podendo se tornar pessoas adultas inseguras e temerosas de que possam vir a se tornar as próximas vítimas.
Atualmente, pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de bullying entre seus alunos desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo.
Para identificar esse tipo de desvio social, é fundamental que, tanto em família quanto na escola, a criança e/ou adolescente tenha a liberdade para dizer o que pensa e o que sente. O diálogo ajuda a entender o cotidiano do aluno. O principal sinal de perigo está naquele aprendiz que vai ficando apático e que se tranca na sua angustia, sem revelar os sentimentos.
Logo, uma saída para resolver o problema de bullying é desenvolver, nas escolas, ações de solidariedade e de resgate de valores de cidadania, tolerância, respeito mútuo entre os discentes e docentes. Como também, estimular e valorizar as individualidades de cada aluno, além de potencializar eventuais diferenças, direcionando-as para aspectos positivos que resultem na melhoria da auto-estima do estudante.
Por fim, neste processo a família e a escola devem compartilhar de uma parceria em que o diálogo, a orientação, a educação e a afetividade sejam os instrumentos utilizados para desenvolver relações de respeito mútuo, tendo como foco as relações humanas.

Texto extraído da Revista Construir Notícias – Nº 40 – Ano 07 – Maio/junho 2008.