O educador deve sempre buscar apreender
como a prática pedagógica se desenvolve no contexto escolar, tentando desvendar
as relações professor-aluno, suas consequências para o sucesso do processo
ensino-aprendizagem e as possíveis causas do fracasso escolar. Tendo-se como
referencial teórico as contribuições de educadores e estudiosos que se
dedicaram à pesquisa de propostas educacionais voltadas para o desenvolvimento
da criança e do adolescente e o sucesso educacional. Também as instituições
devem buscar nas recomendações quanto às implicações da gestão escolar,
verificando atenção especial ao professor, reavaliando suas funções e
compromissos e possibilitando sua orientação por meio de um processo de
formação contínua em serviço, privilegiando a relação teoria-prática e
o desenvolvimento harmonioso do educando e o sucesso do processo
ensino-aprendizagem.
O Processo de Formação
Continuada se inicia com a conscientização de que a tarefa fundamental do educador
é a formação do cidadão, procurando resolver com competência seus próprios
problemas e buscando saídas para os problemas educacionais. A tarefa mais
importante do trabalho pedagógico consiste em proporcionar à criança e ao adolescente
oportunidades para encontrar sua identidade. Os professores constituem figura
importante no processo de identificação da criança e do adolescente com o
adulto, oferecendo-lhe oportunidades para essa identificação, vivendo em sua
presença sua identidade pessoal de educador.
Schraml (1968) questiona a identidade
do professor e a força de sua influência no desenvolvimento do aluno, assim
como o compromisso das instituições formadoras de educadores, responsáveis pela
orientação de sua atividade profissional, levando-o ao contato com seres em
formação.
Questiona sobre as razões que motivaram
o professor para o campo educacional, as alegrias do magistério, a preocupação
com a organização de sua própria existência pessoal e a busca de conhecimentos
proporcionados pela educação. Chama a atenção para a importância das
compensações e frustrações relacionadas às expectativas quanto a seu desempenho
profissional, lembrando que a identidade profissional dá a segurança
indispensável para que seja capaz de transmitir segurança ao educando.
Ressalta a necessidade de maior cuidado
quanto à seleção e orientação dos profissionais responsáveis pela educação,
promovendo o autoconhecimento e uma melhor qualificação dos educadores.
O grau de satisfação ou insatisfação do
docente, suas expectativas e o tipo de interações que mantém com o educando
podem contribuir de maneira positiva ou negativa, tanto no desempenho escolar,
quanto no desenvolvimento psicoemocional e social do aluno.
O professor tem de estar consciente de
que não basta uma boa proposta pedagógica. Deve estar atento aos valores que
passa aos alunos, permeado por suas relações e atitudes, pois elas são
assimiladas facilmente e têm uma força muito grande na formação do educando e
no sucesso da aprendizagem. Deve ter consciência dos fatores de ordem pessoal
que atuam como forças desencadeadoras do processo de ensinar e aprender,
permeados pelas interações afetivas e cognitivas nas relações professor-aluno,
exigindo que ele se assuma como principal responsável pelo sucesso desse
processo.
Meirieu (1998, p. 80) aprofunda a
reflexão sobre o ato da aprendizagem e estabelece referências a partir das
quais o professor poderá elaborar regular e avaliar sua ação
pedagógica. Analisa o “triângulo pedagógico: educando-saber-educador”
e a relação pedagógica, racionalização didática e estratégias individuais de
aprendizagem, no processo de ensinar e aprender. Lembra que aprendizagens
significativas vão permitir ao aluno construir seus próprios mapas de
conhecimento e verdades, a partir de suas vivências.
A cada dia se valoriza mais o caráter
construtivo do processo ensino-aprendizagem, priorizando o aluno capaz de
selecionar, assimilar, processar e interpretar, conferindo significado a sua
aprendizagem. Não se concebe mais a figura do professor e do aluno como simples
transmissor e receptor de conhecimentos. Valorizam-se os processos de interação
professor-aluno, desencadeando e promovendo a aprendizagem.
O ato educacional implica uma série de
decisões sobre o que o educando tem que aprender e sobre as condições
oferecidas pelo professor para que o aluno interaja com os conteúdos do ensino.
Coll e Solé (1996, p. 294) alertam para
a complexidade da sala de aula com sua realidade permeada por conhecimentos,
habilidades, valores e expectativas de seus atores, afirmando que “a aula
configura um espaço comunicativo regido por uma série de regras cujo respeito
permite que os participantes, o professor e os alunos possam comunicar-se e
alcançar os objetivos a que se propõem”.
O processo de ensino-aprendizagem
implica a interação de três aspectos: o aluno que busca aprender, o objeto do
conhecimento e o professor que interage, buscando favorecer a aprendizagem.
O professor é o orientador, o
coordenador e o facilitador do processo de ensino-aprendizagem. Para que sua
orientação influa sobre os processos de construção do conhecimento, deve estar
atento aos mecanismos das relações interpessoais nas interações com o educando,
sem perder de vista que a ajuda pedagógica deve adequar-se às necessidades e
características de seus alunos. Sua intervenção pedagógica deve contribuir para
que o aluno, frente às motivações do contexto educacional, desenvolva sua
capacidade de realizar aprendizagens significativas, aprendendo a aprender e
construindo seus conhecimentos.
Delors (2001, p. 90) alerta quanto à
complexidade da missão educacional no mundo atual, definindo novas políticas
educacionais e organizando-se em tomo de aprendizagens significativas que, ao
longo da vida, se constituirão os pilares do conhecimento: “aprender a
conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”,
garantindo que a educação propicie “a descoberta e o fortalecimento do
potencial criativo, revelando o tesouro escondido em cada um de nós”.
Evidencia-se, nesse contexto, a
necessidade de se dedicar atenção especial à orientação dos professores, por
meio de cursos de formação que priorizem a relação teoria-prática, num espaço
de construção coletiva de conhecimento, possibilitando o desenvolvimento de
competências necessárias a sua atuação profissional, com vistas a favorecer o
desenvolvimento integral do educando e o sucesso do processo
ensino-aprendizagem.
Os anos 90 e a nova LDB 9394/96 situam
a escola no centro dos debates sobre a educação, buscando compreender sua real
função social, sua política educacional e a importância do trabalho pedagógico
na consecução de seus objetivos, garantindo o sucesso do processo educacional
(BRASIL, 1996).
Tendo em vista a consecução dos
objetivos educacionais e o sucesso dos projetos pedagógicos, torna-se de
fundamental importância a promoção da competência política e técnica de todos
os autores do processo educacional, em especial do professor, contribuindo para
a melhoria contínua das condições técnicas, organizacionais e humanas. Para que
isso aconteça deve-se propiciar a formação continuada do educador, em
consonância com as necessidades da organização escolar. O desencadeamento de um
processo de formação contínua dos professores em serviço, possibilitando-lhes
condições para refletirem sobre sua prática, ajudando-os a compreender o
contexto de sua ação docente, buscando vislumbrar a importância de seu papel
como educadores, pode mudar a ação docente, levando a práticas comprometidas
com os processos de tomada de decisão e de produção do conhecimento, com a
realidade dos alunos, com a melhoria do processo ensino-aprendizagem e com a
participação efetiva na formação integral do educando e o desenvolvimento de
competências pedagógicas necessárias a sua atuação profissional, com vistas a
favorecer o desenvolvimento harmonioso do educando e o sucesso do processo
ensino-aprendizagem.
Finalmente
o educador deve ficar em alerta quanto à necessidade de se repensar o trabalho
didático e as relações professor-aluno, assim como propiciar o desenvolvimento
e aperfeiçoamento profissional, no próprio contexto educacional, envolvendo
todos os elementos responsáveis pelo processo. Deve acreditar que a mudança não
depende apenas da conscientização de si mesmo, mas principalmente do apoio
técnico, pedagógico e administrativo, numa constante reavaliação e reformulação
da prática educacional, buscando significado para seu ser e seu fazer.
O
professor deve ter a preocupação constante de atualizar-se, procedendo a uma revisão
crítica de sua proposta pedagógica e de sua atuação, possibilitando
aprendizagens significativas, favorecendo o desenvolvimento afetivo cognitivo e
o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Portanto,
as instituições devem promover o desenvolvimento desse professor, orientando-o
e assistindo-o na organização de um ambiente escolar e no processo
ensino-aprendizagem significativo para o educando. Assim, permitirá a formação
de jovens que pensem, sintam e atribuam valores, como indivíduos criativos e
produtivos, conscientes de seu próprio valor pessoal, interessados na condição humana,
capazes de idealizar e vislumbrar um melhor, do qual possam fazer parte.
Referências
COLL;
SOLÉ. A interação professor/aluno no processo ensino e aprendizagem. in: COLL,
C.,
PALÁCIOS,
J. E MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre:
Artes
Médicas,
1986 (Coleção Psicologia e Educação).
DELORS, J.
Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 2001.
MEIRIEU,
P. Aprender... Sim, mas como? Porto Alegre: Artmed, 1998.
SCHRAML,
Walter J. A higiene psíquica do pedagogo. In: Introdução à psicologia
profunda para
educadores. São
Paulo: EPU, 1976.

