Um Novo Paradigma Curricular
1.
Introdução – Conceitos e Reflexões
Preliminares
A
interdisciplinaridade refere-se a uma nova concepção de ensino e de currículo,
baseada na interdependência entre os diversos ramos do conhecimento.
Paradigma (modelo,
padrão), é um conceito atualmente usado para designar a forma de estruturação e
funcionamento do cérebro humano. Nesse sentido, paradigma é uma estrutura-modelo,
um modo de pensar.
Nossa perspectiva é
de que o atual currículo escolar deve sofrer algumas alterações, passando do
modelo multidisciplinar para o interdisciplinar.
Pretendemos fazer uma
análise histórica da instituição escolar, buscando entender por que a escola
tem hoje um projeto pedagógico multidisciplinar.
A proposta
interdisciplinar será justificada por uma reflexão teórica que explique por que
a escola deve ter um currículo interdisciplinar.
Finalmente serão
sugeridas algumas estratégias para uma transformação curricular rumo a um novo
paradigma, mais dinâmico e compatível com o avanço acelerado que têm hoje a
ciência e a tecnologia, a partir das invenções e descobertas que o ser humano
tem feito, cada vez com maior rapidez.
É nossa intenção
analisar o atual currículo escolar para reorientá-lo rumo a nova proposta, a
partir das constatações feitas. Esperamos, assim, deixar clara a necessidade da
mudança, antes de abordar a questão da operacionalização, de como fazer essa
passagem, essas mudanças.
A fundamentação de
nossa proposta é claramente construtivista. Acreditamos que, neste final de
século, já superamos também o modelo de estrutura escolar inatista como o
empirista. O modelo construtivista, que faz uma síntese dos dois modelos
anteriores, é o mais adequado ao momento atual. Segundo o construtivismo, o ser
humano nasce com potencial para aprender. Mas esse potencial – essa capacidade
– só se desenvolverá na interação com o mundo, na experimentação com o objeto
de conhecimento, na reflexão sobre a ação. A aprendizagem se organiza, se
estrutura num processo dialético de interlocução. Por isso a escola utiliza
hoje as dinâmicas de grupo, que possibilitam a discussão, o diálogo. É preciso
haver o elemento dialogante para que o saber se construa. Nossos pontos de
vista e nossas idéias se clareiam quando temos com quem discuti-los. A
interação social no grupo de sala de aula é, pois, fundamental para que a
aprendizagem circule, movida pelas relações afetivas. A organização acadêmica
tradicional, com os alunos fechados em si mesmos, pensando e produzindo
sozinhos, deve abrir espaço para que aconteça a polifonia, o debate, o trabalho
coletivo, a interlocução.
Por outro lado, uma
aprendizagem significativa exige, além da interlocução e da experimentação, o
movimento do corpo no espaço e a utilização das estruturas mentais para
relacionar os estímulos recebidos, formando conceitos claros.
Conceituar é, para os
filósofos gregos antigos, a primeira operação da mente – o ato pelo qual o
espírito produz ou representa em si mesmo alguma coisa, compreendendo-lhe o significado.
Para discutirmos o
tema "interdisciplinaridade", começaremos pela compreensão de alguns
termos específicos, conceituando-os com clareza.
Inter/disciplinar/idade deriva da palavra
primitiva disciplinar (que diz respeito a disciplina), por prefixação (inter –
ação recíproca, comum) e sufixação (dade – qualidade, estado ou resultado da
ação).
Disciplina refere-se
à ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente significa
submissão ou subordinação a um regulamento superior. Significa também
"matéria" (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins
de estudo) tratada didaticamente, com ênfase na aquisição de conhecimentos e no
desenvolvimento de habilidades intelectuais". É uma palavra muito presente
em instituições como o Exército, a Fábrica e a Igreja, que valorizam a
disciplina na formação de seu pessoal.
A utilização dessa
mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à
necessidade de submeter-se a mente à mesma ordem que controla o corpo dos
educandos, quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria
escolar.
De posse desses
conceitos básicos, vamos analisar os diversos tipos de composição curricular:
A)
multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição
de disciplinas diversas, sem relação aparente entre elas;
B)
pluridisciplinar – quando se justapõem disciplinas mais ou
menos vizinhas nos domínios do conhecimento, formando-se as áreas de estudos
com conteúdos afins ou coordenação de área, com menor fragmentação;
C)
interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber,
frisando a interdependência, a interação e a comunicação existentes entre as
disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e
significativo;
D)
transdisciplinar – quando há coordenação de todos as
disciplinas num sistema lógico de conhecimentos, com livre trânsito num campo
de saber para outro.
O modelo
multidisciplinar, presente na escola, ainda hoje desconsidera as
características e necessidades do desenvolvimento do ser humano. Para resgatar
essa inteireza perdida e possibilitar uma visão da totalidade do conhecimento é
que estamos propondo o modelo interdisciplinar.
Quanto mais se acelera
a produção do saber humano, mais se faz necessário garantir que não se perca a
visão do todo. E hoje o acervo de conhecimentos da humanidade dobra-se cada
quatro anos, havendo previsão de que se dobrará a cada dois anos, a partir do
ano 2000.
As escolas, de modo
geral, trabalham com coordenação de área, numa tentativa de superar as
deficiências do currículo multidisciplinar. Mas, na prática, o que vemos
acontecer é a simples "coordenação de matéria" (reuniões de
professores que lecionam o mesmo conteúdo em séries distintas), garantindo-se,
assim, a integração vertical – de uma série para outra -, mas não a superação
do modelo multidisciplinar.
No entanto, a
coordenação de área, bem conduzida, poderia ser o primeiro passo para a
transformação curricular rumo a um modelo interdisciplinar. A verdadeira
coordenação de área consistiria em reunir-se os professores de conteúdos afins,
para planejarem em conjunto seu programa, a partir de um eixo comum, teórico ou
metodológico.
Por exemplo, a
coordenação de área de línguas poderia ser estabelecida a partir do eixo da
Lingüística, que é a base do ensino e da aprendizagem do Português e do Inglês,
e/ou do eixo metodológico, pela didática do texto. O que não é possível é
submetermos os alunos a uma aprendizagem tradicional da língua estrangeira,
quando o professor de Português já avançou em sua proposta metodológica – ou
vice-versa.
Na medida em que
garantimos a integração dos conteúdos, estamos garantindo também a sua
significação para os alunos. Consequentemente, crescerá o interesse dos alunos
pela escola, que, cada dia mais, perde espaço para a mídia e para todos os
atrativos e para todos os atrativos tecnológicos e eletrônicos dos meios de
comunicação, computação e diversão.
Um grande problema de
transformação curricular é que a escola é hoje uma das instituições sociais
mais resistentes à mudança. Talvez, em parte, isso se deva ao fato de serem os
professores os únicos profissionais que "nunca saem da escola". Nela
eles se formam, como os demais profissionais, e nela permanecem atuando,
repetindo o mesmo modelo de seus antigos professores, enquanto os demais
profissionais deixam a escola para atuar em outros locais de trabalho.
O novo modelo
curricular, de base interdisciplinar, exige uma nova visão de escola, criativa,
ousada e com uma nova concepção de divisão do saber, pois a especificidade de
cada conteúdo precisa ser garantida paralelamente à sua integração num todo
harmonioso e significativo.
Num currículo
multidisciplinar, os alunos recebem a informações incompletas e têm uma visão
fragmentada e deformada do mundo. Num currículo interdisciplinar as
informações, as percepções e os conceitos compõem uma totalidade de
significação completa, e o mundo já não é visto como um quebra-cabeça
desmontado.
A nossa dificuldade
em admitir a possibilidade de um modelo curricular diferente prende-se a
questão dos paradigmas (modelos de estruturas mentais), que nos imobilizam,
condicionando nossa maneira de ver as coisas. Tanto é assim, que as grandes
mudanças costumam acontecer a partir de pessoas que atuam em outra área de
conhecimento, estando, portanto, de fora do paradigma em questão.
Se quisermos avançar,
para um currículo interdisciplinar, temos que começar a pensar
interdisciplinarmente, isto é, ver o todo não pela simples somatória das partes
que o compõem, mas pela percepção de que tudo sempre está em tudo, tudo
repercute em tudo, permitindo que o pensamento ocorra com base no diálogo entre
as diversas áreas do saber. É esse estabelecimento de relações que nos possibilitará
analisar, entender e explicar os acontecimentos, fatos e fenômenos passados e
presentes, para que possamos projetar, prever e simular o futuro.
2.
Por que a Escola é Multidisciplinar
Segundo Aristóteles,
"nada melhor para compreender um tema para em sua extensão do que
historicizá-lo".
Vamos, pois, fazer uma retrospectiva
histórica para tentar descobrir a razão de ser do atual modelo de sistema
escolar.
Usando o referencial
de Alvin Toffler, autor dos livros O Choque do Futuro e A Terceira Onda, podemos
dizer que a história da humanidade evolui em "ondas", situando-se a
primeira grande onda na Pré-História, com o surgimento da agricultura e o poder
centrado na posse da terra. O advento da Revolução Industrial (Idade Moderna)
marca a passagem para a Segunda Onda, com o poder centrado no capital. É nesse
contexto que surge a escola pública , não a serviço do homem, mas da fábrica,
com o objetivo de preparar mão-de-obra para indústria, de treinar, disciplinar,
subjugar o homem, para torná-lo operário.
Enquanto instituição
social, a escola é sempre orientada pelo tipo de homem que deseja formar.
Portanto, para o século XVIII, era esse o modelo de escola necessária. Mas
hoje, no limiar do século XXI, quando vivemos a Terceira Onda, a era da
informática, em que a posse da informação é que garante o poder, precisamos de
um novo modelo de escola.
Tendo situado a
gênese da escola no tempo, podemos entender melhor as influências que marcaram
sua origem e evolução, determinando suas características estruturais e funcionais.
Seu currículo foi planejado para formar pessoas disciplinadas, submissas,
obedientes, organizadas, metódicas, nada criativas ou questionadoras. Daí o uso
do uniforme, da fila, do horário e da disciplina rígidos, do silêncio e da
passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado.
Essas influências se
fazem sentir também na terminologia específica do vocabulário escolar, de seus
instrumentos, usos e costumes, como formatura, matéria, sirene, cópia de
modelos, programas previamente determinados, aprendizagem delimitada, caderneta
escolar (cartão ponto), comportamento controlado, carteiras fixas – até mesmo
em sua arquitetura.
Paralelamente à
revolução industrial, o século XVIII é marcado também pelo surgimento do
Positivismo, corrente filosófica iniciada com Augusto Comte, em oposição a
Filosofia Clássica, por ele considerada pré-histórica e "negativa" .
Reagindo às Tendências Iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a
universalidade e a neutralidade como exigências do conhecimento científico.
Para os positivistas só é positivo o que é certo, real verdadeiro,
inquestionável, que não admite dúvidas, que se fundamenta na experiência, o que
é, portanto, prático, útil, objetivo, direto, claro.
Foi na escola que o
impacto do Positivismo se fez sentir com maior força, em parte devido à
influência da Psicologia e da Sociologia – ciências auxiliares da educação e
nascidas sob a égide do Positivismo -, gerando o pragmatismo e o empirismo nas
práticas e instituições escolares e atendendo aos interesses da classe social
dominante.
Na gênese desse
modelo de escola, destacam-se ainda as influências marcantes da igreja – com
seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penitência, determinando práticas como a
avaliação, as punições e proibições e a apresentação de verdades prontas e
definitivas – e da ideologia política dominante. Fragmentando-se o conhecimento
acumulado através de um currículo multidisciplinar, fragmenta-se o próprio
homem (o aluno e o professor), que fica então fragilizado e é facilmente
dominado.
3.
Por que a Escola deve ser Interdisciplinar
A proposta de
currículo interdisciplinar justifica-se a partir de razões históricas,
filosóficas, socio-políticas e ideológicas, acrescidas das razões
psicopedagógicas.
Historicamente, temos de considerar que
vivemos hoje a era da informática, com suas contradições, seus paradoxos. Como
já afirmava Heráclito, o filósofo grego pré-socrático, "no mundo tudo
flui, tudo se transforma, pois a essência da vida é a mutabilidade, e não a
permanência". Assim, aquela escola, que era boa para o momento da
revolução industrial, já não atende às necessidades do homem do final do século
XX.
Nossa era é a da
pós-modernidade (ou neomodernidade, como querem alguns autores), em que à
lógica formal, clássica, normativa e maniqueísta (bivalente), impõe-se a lógica
dialética, fundamentada na noção de contradição, dialógica.
Paralelamente, a luta pela igualdade de
direitos, pela supremacia da liberdade, pelo resgate da democracia e a revisão
de conceitos de poder deram novo sentido à noção de cidadania, de coletividade,
de valores cívicos.
Dentre as razões que
temos para buscar uma transformação curricular, passa também uma razão política
muito forte: hoje vivemos uma democracia, e queremos formar pessoas criativas,
questionadoras, críticas, comprometidas com as mudanças e não com a reprodução
de modelos.
Questões
histórico-filosóficas e sociopolítica-ideológicas vêm exigindo, há muito tempo,
uma total revisão na instituição escolar.
Mais recentemente,
com a divulgação dos trabalhos teóricos sobre a psicologia genética e sua
aplicação ao campo da pedagogia, tornou-se imperiosa essa necessidade de
mudanças na estrutura escolar, visando, sobretudo, ao resgate da inteireza do
ser humano e da unidade do conhecimento.
A rapidez das
mudanças em todos os setores da sociedade atual (científico, cultural,
tecnológico ou político-econômico), o acúmulo de conhecimentos, as novas
exigências do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da gerência
e da produção, têm provocado uma revisão didático-pedagógica do processo de
educação escolar.
Surge, assim, uma
nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os
diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e
compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos
conteúdos.
Temos de considerar
ainda as razões psicopedagógicas que nos levam a propor um currículo
interdisciplinar, e que estão relacionadas com os conhecimentos já adquiridos
sobre o funcionamento do cérebro humano e os processos de conhecimento e de
aprendizagem. Os avanços significativos da Psicologia Genética nos permitem
hoje conceituar, com Piaget, inteligência como a capacidade de estabelecer
relações; confrontar, com Vygotski, o desenvolvimento de conceitos espontâneos
e científicos; admitir com Gardner, a idéia de inteligência múltipla, o que
implica uma série de competências a serem desenvolvidas pela escola:
competência lingüística, lógico-matemática, espacial, cinestésica, musical,
pictórica, intrapessoal e interpessoal.
Ora, todos esses
avanços exigem um repensar do currículo escolar, baseado na rede de relações,
eliminando-se os "redutos disciplinares" em prol de uma proposta
interdisciplinar. Um currículo escolar atualizado não pode ignorar o modo de
funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas
tecnologias informáticas diretamente associadas à concepção de inteligência. É
preciso, hoje, pensar o conhecimento (e o currículo) como uma ampla rede de
significações, e a escola como lugar não apenas de transmissão do saber, mas
também de sua construção coletiva.
Eis, pois, a grande
razão para termos um currículo interdisciplinar: é preciso resgatar a inteireza
do ser e do saber, e o trabalho em parceria.
4.
Como a Escola Pode tornar-se Interdisciplinar
O primeiro passo rumo
à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos
professores.
A função da escola já
não é integrar as novas gerações ao tipo de sociedade preexistente, pela
modelagem do comportamento aos papéis sociais prescritos e ao acervo de
conhecimento acumulados.
Segundo Caniato,
"o objetivo do ensino fundamental é dar ao educando uma idéia integrada da
vida e das relações dos seres vivos entre si e com a natureza,(...). O mundo
não está dividido em Física, Química e Biologia. A formação de conceitos exige
que se respeite a unidade do conhecimento. (...) Ciência é o conhecimento
organizado, de modo sistemático, sobre nossa interação com a natureza".
No novo conceito de
papel social da educação, a escola tem a função de construir, pela práxis , uma
nova relação humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos acumulados,
tomando consciência da participação pessoal na definição de papéis sociais.
Para que esse novo
papel social da educação se cumpra é preciso rever o funcionamento da escola
não só quanto a conteúdos, metodologias e atividades, mas também quanto a
maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como a
auto-expressão (livre, crítica, criativa, consciente); a autovalorização
(reconhecimento da própria dignidade); a co-responsabilidade (iniciativa,
participação, colaboração); a curiosidade e a autonomia na construção do
conhecimento (estabelecendo rede de significação interdisciplinar), dentre
outros.
A qualidade da educação,
grande preocupação dos administradores escolares hoje, será alcançada via de
gestão participativa, trabalho de equipe (parceria, cooperação) e currículo
interdisciplinar – todos esses mecanismos que superam o modelo individualista,
fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber.
O segundo passo rumo
à operacionalização do currículo interdisciplinar é, pois, a administração
participativa e a metodologia participativa.
Uma prática escolar interdisciplinar tem
algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou
"pistas" para uma transformação curricular e que exigem mudanças de
atitude, procedimento, postura por parte dos educadores:
A)
perceber-se
interdisciplinar, sentir-se "parte do universo à parte" (Fazenda);
(resgatar sua própria inteireza, sua unidade);
B)
historicizar
e contextualizar os conteúdos (resgatar a memória dos acontecimentos,
interessando-se por suas origens, causas, conseqüências e significações;
aprender a ler jornal e discutir as notícias);
C)
valorizar
o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o corpo
docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as
diversas disciplinas e atividades do currículo;
D)
desenvolver
atitude de busca, de pesquisa, de transformação, construção, investigação e
descoberta;
E)
definir
uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja
ideológica (que tipo de homem queremos formar), psicopedagógica (que teoria de
aprendizagem fundamenta o projeto escolar) ou relacional ( como são as relações
interpessoais, a questão do poder, da autonomia e da centralização decisória na
escola);
F)
dinamizar
a coordenação de área (trabalho integrado com conteúdos afins, evitando
repetições inúteis e cansativas), começando pelo confronto dos planos de curso
das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas, em conjunto,
atualizando-os, enriquecendo-os ou "enxugando-os", iniciando-se
assim, uma real revisão curricular;
G)
resgatar
o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da
interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: - "o que há de
profundamento humano neste novo conteúdo?" ou – "em que este conteúdo
contribui para que os alunos se tornem mais humanos?"
H) trabalhar com a
pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola, aproximando-a
da vida real, e estimula a iniciativa, a criatividade, a cooperação e a
co-responsabilidade. Desenvolver projetos na escola é, seguramente, a melhor
maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo
interdisciplinar.
Um projeto surge de
uma situação, de uma necessidade sentida pela própria turma e consta de um
conjunto de tarefas planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo, em
torno de um objetivo comum.
Para Jolibert,
"a pedagogia de projetos permite viver numa escola alicerçada no real,
aberta a múltiplas relações com o exterior; nela a criança trabalha ‘pra valer’
e dispõe dos meios para afirmar-se como agente de seus aprendizados, produzindo
algo que tem sentido e unidade". Realiza-se, assim, a proposta da
interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser.
Rosa Maria Calaes de Andrade, Pedagoga e Pós-
Graduada em Psicopedagogia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANIATO, Rodolfo. Com ciência na educação,
São Paulo: Papirus, 1989.
FAZENDA, Ivani C. A. (org.) Práticas
interdisciplinares na escola. São Paulo: Cortez, 199l.
JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras
. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
TOFFLER, Alvin. O choque do Futuro. São
Paulo: Record, 1970.
DOIS PONTOS – VERÃO 94/95