sábado, 6 de outubro de 2012

INTERDISCIPLINARIEDADE



   
Um Novo Paradigma Curricular

1.     Introdução – Conceitos e Reflexões Preliminares

A interdisciplinaridade refere-se a uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os diversos ramos do conhecimento.
Paradigma (modelo, padrão), é um conceito atualmente usado para designar a forma de estruturação e funcionamento do cérebro humano. Nesse sentido, paradigma é uma estrutura-modelo, um modo de pensar.
Nossa perspectiva é de que o atual currículo escolar deve sofrer algumas alterações, passando do modelo multidisciplinar para o interdisciplinar.
Pretendemos fazer uma análise histórica da instituição escolar, buscando entender por que a escola tem hoje um projeto pedagógico multidisciplinar.
A proposta interdisciplinar será justificada por uma reflexão teórica que explique por que a escola deve ter um currículo interdisciplinar.
Finalmente serão sugeridas algumas estratégias para uma transformação curricular rumo a um novo paradigma, mais dinâmico e compatível com o avanço acelerado que têm hoje a ciência e a tecnologia, a partir das invenções e descobertas que o ser humano tem feito, cada vez com maior rapidez.
É nossa intenção analisar o atual currículo escolar para reorientá-lo rumo a nova proposta, a partir das constatações feitas. Esperamos, assim, deixar clara a necessidade da mudança, antes de abordar a questão da operacionalização, de como fazer essa passagem, essas mudanças.
A fundamentação de nossa proposta é claramente construtivista. Acreditamos que, neste final de século, já superamos também o modelo de estrutura escolar inatista como o empirista. O modelo construtivista, que faz uma síntese dos dois modelos anteriores, é o mais adequado ao momento atual. Segundo o construtivismo, o ser humano nasce com potencial para aprender. Mas esse potencial – essa capacidade – só se desenvolverá na interação com o mundo, na experimentação com o objeto de conhecimento, na reflexão sobre a ação. A aprendizagem se organiza, se estrutura num processo dialético de interlocução. Por isso a escola utiliza hoje as dinâmicas de grupo, que possibilitam a discussão, o diálogo. É preciso haver o elemento dialogante para que o saber se construa. Nossos pontos de vista e nossas idéias se clareiam quando temos com quem discuti-los. A interação social no grupo de sala de aula é, pois, fundamental para que a aprendizagem circule, movida pelas relações afetivas. A organização acadêmica tradicional, com os alunos fechados em si mesmos, pensando e produzindo sozinhos, deve abrir espaço para que aconteça a polifonia, o debate, o trabalho coletivo, a interlocução.
Por outro lado, uma aprendizagem significativa exige, além da interlocução e da experimentação, o movimento do corpo no espaço e a utilização das estruturas mentais para relacionar os estímulos recebidos, formando conceitos claros.
Conceituar é, para os filósofos gregos antigos, a primeira operação da mente – o ato pelo qual o espírito produz ou representa em si mesmo alguma coisa, compreendendo-lhe o significado.
Para discutirmos o tema "interdisciplinaridade", começaremos pela compreensão de alguns termos específicos, conceituando-os com clareza.
Inter/disciplinar/idade deriva da palavra primitiva disciplinar (que diz respeito a disciplina), por prefixação (inter – ação recíproca, comum) e sufixação (dade – qualidade, estado ou resultado da ação).
Disciplina refere-se à ordem conveniente a um funcionamento regular. Originariamente significa submissão ou subordinação a um regulamento superior. Significa também "matéria" (campo de conhecimento determinado que se destaca para fins de estudo) tratada didaticamente, com ênfase na aquisição de conhecimentos e no desenvolvimento de habilidades intelectuais". É uma palavra muito presente em instituições como o Exército, a Fábrica e a Igreja, que valorizam a disciplina na formação de seu pessoal.
A utilização dessa mesma palavra para denominar os conteúdos escolares refere-se tanto à necessidade de submeter-se a mente à mesma ordem que controla o corpo dos educandos, quanto ao tratamento didático que deve ser dado a cada matéria escolar.
De posse desses conceitos básicos, vamos analisar os diversos tipos de composição curricular:
A)    multidisciplinar – modelo fragmentado em que há justaposição de disciplinas diversas, sem relação aparente entre elas;
B)    pluridisciplinar – quando se justapõem disciplinas mais ou menos vizinhas nos domínios do conhecimento, formando-se as áreas de estudos com conteúdos afins ou coordenação de área, com menor fragmentação;
C)    interdisciplinar – com nova concepção de divisão do saber, frisando a interdependência, a interação e a comunicação existentes entre as disciplinas e buscando a integração do conhecimento num todo harmônico e significativo;
D)    transdisciplinar – quando há coordenação de todos as disciplinas num sistema lógico de conhecimentos, com livre trânsito num campo de saber para outro.
O modelo multidisciplinar, presente na escola, ainda hoje desconsidera as características e necessidades do desenvolvimento do ser humano. Para resgatar essa inteireza perdida e possibilitar uma visão da totalidade do conhecimento é que estamos propondo o modelo interdisciplinar.
Quanto mais se acelera a produção do saber humano, mais se faz necessário garantir que não se perca a visão do todo. E hoje o acervo de conhecimentos da humanidade dobra-se cada quatro anos, havendo previsão de que se dobrará a cada dois anos, a partir do ano 2000.
As escolas, de modo geral, trabalham com coordenação de área, numa tentativa de superar as deficiências do currículo multidisciplinar. Mas, na prática, o que vemos acontecer é a simples "coordenação de matéria" (reuniões de professores que lecionam o mesmo conteúdo em séries distintas), garantindo-se, assim, a integração vertical – de uma série para outra -, mas não a superação do modelo multidisciplinar.
No entanto, a coordenação de área, bem conduzida, poderia ser o primeiro passo para a transformação curricular rumo a um modelo interdisciplinar. A verdadeira coordenação de área consistiria em reunir-se os professores de conteúdos afins, para planejarem em conjunto seu programa, a partir de um eixo comum, teórico ou metodológico.
Por exemplo, a coordenação de área de línguas poderia ser estabelecida a partir do eixo da Lingüística, que é a base do ensino e da aprendizagem do Português e do Inglês, e/ou do eixo metodológico, pela didática do texto. O que não é possível é submetermos os alunos a uma aprendizagem tradicional da língua estrangeira, quando o professor de Português já avançou em sua proposta metodológica – ou vice-versa.
Na medida em que garantimos a integração dos conteúdos, estamos garantindo também a sua significação para os alunos. Consequentemente, crescerá o interesse dos alunos pela escola, que, cada dia mais, perde espaço para a mídia e para todos os atrativos e para todos os atrativos tecnológicos e eletrônicos dos meios de comunicação, computação e diversão.
Um grande problema de transformação curricular é que a escola é hoje uma das instituições sociais mais resistentes à mudança. Talvez, em parte, isso se deva ao fato de serem os professores os únicos profissionais que "nunca saem da escola". Nela eles se formam, como os demais profissionais, e nela permanecem atuando, repetindo o mesmo modelo de seus antigos professores, enquanto os demais profissionais deixam a escola para atuar em outros locais de trabalho.
O novo modelo curricular, de base interdisciplinar, exige uma nova visão de escola, criativa, ousada e com uma nova concepção de divisão do saber, pois a especificidade de cada conteúdo precisa ser garantida paralelamente à sua integração num todo harmonioso e significativo.
Num currículo multidisciplinar, os alunos recebem a informações incompletas e têm uma visão fragmentada e deformada do mundo. Num currículo interdisciplinar as informações, as percepções e os conceitos compõem uma totalidade de significação completa, e o mundo já não é visto como um quebra-cabeça desmontado.
A nossa dificuldade em admitir a possibilidade de um modelo curricular diferente prende-se a questão dos paradigmas (modelos de estruturas mentais), que nos imobilizam, condicionando nossa maneira de ver as coisas. Tanto é assim, que as grandes mudanças costumam acontecer a partir de pessoas que atuam em outra área de conhecimento, estando, portanto, de fora do paradigma em questão.
Se quisermos avançar, para um currículo interdisciplinar, temos que começar a pensar interdisciplinarmente, isto é, ver o todo não pela simples somatória das partes que o compõem, mas pela percepção de que tudo sempre está em tudo, tudo repercute em tudo, permitindo que o pensamento ocorra com base no diálogo entre as diversas áreas do saber. É esse estabelecimento de relações que nos possibilitará analisar, entender e explicar os acontecimentos, fatos e fenômenos passados e presentes, para que possamos projetar, prever e simular o futuro.

2.     Por que a Escola é Multidisciplinar

Segundo Aristóteles, "nada melhor para compreender um tema para em sua extensão do que historicizá-lo".
Vamos, pois, fazer uma retrospectiva histórica para tentar descobrir a razão de ser do atual modelo de sistema escolar.
Usando o referencial de Alvin Toffler, autor dos livros O Choque do Futuro e A Terceira Onda, podemos dizer que a história da humanidade evolui em "ondas", situando-se a primeira grande onda na Pré-História, com o surgimento da agricultura e o poder centrado na posse da terra. O advento da Revolução Industrial (Idade Moderna) marca a passagem para a Segunda Onda, com o poder centrado no capital. É nesse contexto que surge a escola pública , não a serviço do homem, mas da fábrica, com o objetivo de preparar mão-de-obra para indústria, de treinar, disciplinar, subjugar o homem, para torná-lo operário.
Enquanto instituição social, a escola é sempre orientada pelo tipo de homem que deseja formar. Portanto, para o século XVIII, era esse o modelo de escola necessária. Mas hoje, no limiar do século XXI, quando vivemos a Terceira Onda, a era da informática, em que a posse da informação é que garante o poder, precisamos de um novo modelo de escola.
Tendo situado a gênese da escola no tempo, podemos entender melhor as influências que marcaram sua origem e evolução, determinando suas características estruturais e funcionais. Seu currículo foi planejado para formar pessoas disciplinadas, submissas, obedientes, organizadas, metódicas, nada criativas ou questionadoras. Daí o uso do uniforme, da fila, do horário e da disciplina rígidos, do silêncio e da passividade em sala de aula, do trabalho individual e isolado.
Essas influências se fazem sentir também na terminologia específica do vocabulário escolar, de seus instrumentos, usos e costumes, como formatura, matéria, sirene, cópia de modelos, programas previamente determinados, aprendizagem delimitada, caderneta escolar (cartão ponto), comportamento controlado, carteiras fixas – até mesmo em sua arquitetura.
Paralelamente à revolução industrial, o século XVIII é marcado também pelo surgimento do Positivismo, corrente filosófica iniciada com Augusto Comte, em oposição a Filosofia Clássica, por ele considerada pré-histórica e "negativa" . Reagindo às Tendências Iluministas, o Positivismo prega a objetividade, a universalidade e a neutralidade como exigências do conhecimento científico. Para os positivistas só é positivo o que é certo, real verdadeiro, inquestionável, que não admite dúvidas, que se fundamenta na experiência, o que é, portanto, prático, útil, objetivo, direto, claro.
Foi na escola que o impacto do Positivismo se fez sentir com maior força, em parte devido à influência da Psicologia e da Sociologia – ciências auxiliares da educação e nascidas sob a égide do Positivismo -, gerando o pragmatismo e o empirismo nas práticas e instituições escolares e atendendo aos interesses da classe social dominante.
Na gênese desse modelo de escola, destacam-se ainda as influências marcantes da igreja – com seus dogmas e sacramentos, sobretudo a penitência, determinando práticas como a avaliação, as punições e proibições e a apresentação de verdades prontas e definitivas – e da ideologia política dominante. Fragmentando-se o conhecimento acumulado através de um currículo multidisciplinar, fragmenta-se o próprio homem (o aluno e o professor), que fica então fragilizado e é facilmente dominado.

3.     Por que a Escola deve ser Interdisciplinar

A proposta de currículo interdisciplinar justifica-se a partir de razões históricas, filosóficas, socio-políticas e ideológicas, acrescidas das razões psicopedagógicas.
Historicamente, temos de considerar que vivemos hoje a era da informática, com suas contradições, seus paradoxos. Como já afirmava Heráclito, o filósofo grego pré-socrático, "no mundo tudo flui, tudo se transforma, pois a essência da vida é a mutabilidade, e não a permanência". Assim, aquela escola, que era boa para o momento da revolução industrial, já não atende às necessidades do homem do final do século XX.
Nossa era é a da pós-modernidade (ou neomodernidade, como querem alguns autores), em que à lógica formal, clássica, normativa e maniqueísta (bivalente), impõe-se a lógica dialética, fundamentada na noção de contradição, dialógica.
Paralelamente, a luta pela igualdade de direitos, pela supremacia da liberdade, pelo resgate da democracia e a revisão de conceitos de poder deram novo sentido à noção de cidadania, de coletividade, de valores cívicos.
Dentre as razões que temos para buscar uma transformação curricular, passa também uma razão política muito forte: hoje vivemos uma democracia, e queremos formar pessoas criativas, questionadoras, críticas, comprometidas com as mudanças e não com a reprodução de modelos.
Questões histórico-filosóficas e sociopolítica-ideológicas vêm exigindo, há muito tempo, uma total revisão na instituição escolar.
Mais recentemente, com a divulgação dos trabalhos teóricos sobre a psicologia genética e sua aplicação ao campo da pedagogia, tornou-se imperiosa essa necessidade de mudanças na estrutura escolar, visando, sobretudo, ao resgate da inteireza do ser humano e da unidade do conhecimento.
A rapidez das mudanças em todos os setores da sociedade atual (científico, cultural, tecnológico ou político-econômico), o acúmulo de conhecimentos, as novas exigências do mercado de trabalho, sobretudo no campo da pesquisa, da gerência e da produção, têm provocado uma revisão didático-pedagógica do processo de educação escolar.
Surge, assim, uma nova concepção de ensino e de currículo, baseada na interdependência entre os diversos campos de conhecimento, superando-se o modelo fragmentado e compartimentado de estrutura curricular fundamentada no isolamento dos conteúdos.
Temos de considerar ainda as razões psicopedagógicas que nos levam a propor um currículo interdisciplinar, e que estão relacionadas com os conhecimentos já adquiridos sobre o funcionamento do cérebro humano e os processos de conhecimento e de aprendizagem. Os avanços significativos da Psicologia Genética nos permitem hoje conceituar, com Piaget, inteligência como a capacidade de estabelecer relações; confrontar, com Vygotski, o desenvolvimento de conceitos espontâneos e científicos; admitir com Gardner, a idéia de inteligência múltipla, o que implica uma série de competências a serem desenvolvidas pela escola: competência lingüística, lógico-matemática, espacial, cinestésica, musical, pictórica, intrapessoal e interpessoal.
Ora, todos esses avanços exigem um repensar do currículo escolar, baseado na rede de relações, eliminando-se os "redutos disciplinares" em prol de uma proposta interdisciplinar. Um currículo escolar atualizado não pode ignorar o modo de funcionamento da mente humana, as necessidades da aprendizagem e as novas tecnologias informáticas diretamente associadas à concepção de inteligência. É preciso, hoje, pensar o conhecimento (e o currículo) como uma ampla rede de significações, e a escola como lugar não apenas de transmissão do saber, mas também de sua construção coletiva.
Eis, pois, a grande razão para termos um currículo interdisciplinar: é preciso resgatar a inteireza do ser e do saber, e o trabalho em parceria.

4.     Como a Escola Pode tornar-se Interdisciplinar

O primeiro passo rumo à nova proposta é a mudança do paradigma de escola e da postura dos professores.
A função da escola já não é integrar as novas gerações ao tipo de sociedade preexistente, pela modelagem do comportamento aos papéis sociais prescritos e ao acervo de conhecimento acumulados.
Segundo Caniato, "o objetivo do ensino fundamental é dar ao educando uma idéia integrada da vida e das relações dos seres vivos entre si e com a natureza,(...). O mundo não está dividido em Física, Química e Biologia. A formação de conceitos exige que se respeite a unidade do conhecimento. (...) Ciência é o conhecimento organizado, de modo sistemático, sobre nossa interação com a natureza".
No novo conceito de papel social da educação, a escola tem a função de construir, pela práxis , uma nova relação humana, revendo criticamente o acervo de conhecimentos acumulados, tomando consciência da participação pessoal na definição de papéis sociais.
Para que esse novo papel social da educação se cumpra é preciso rever o funcionamento da escola não só quanto a conteúdos, metodologias e atividades, mas também quanto a maneira de tratar o aluno e aos comportamentos que deve estimular, como a auto-expressão (livre, crítica, criativa, consciente); a autovalorização (reconhecimento da própria dignidade); a co-responsabilidade (iniciativa, participação, colaboração); a curiosidade e a autonomia na construção do conhecimento (estabelecendo rede de significação interdisciplinar), dentre outros.
A qualidade da educação, grande preocupação dos administradores escolares hoje, será alcançada via de gestão participativa, trabalho de equipe (parceria, cooperação) e currículo interdisciplinar – todos esses mecanismos que superam o modelo individualista, fragmentado e centralizador de administração e de produção do saber.
O segundo passo rumo à operacionalização do currículo interdisciplinar é, pois, a administração participativa e a metodologia participativa.
Uma prática escolar interdisciplinar tem algumas características que podem ser apontadas como fundamentos ou "pistas" para uma transformação curricular e que exigem mudanças de atitude, procedimento, postura por parte dos educadores:
A)    perceber-se interdisciplinar, sentir-se "parte do universo à parte" (Fazenda); (resgatar sua própria inteireza, sua unidade);
B)    historicizar e contextualizar os conteúdos (resgatar a memória dos acontecimentos, interessando-se por suas origens, causas, conseqüências e significações; aprender a ler jornal e discutir as notícias);
C)    valorizar o trabalho em parceria, em equipe interdisciplinar, integrada (tanto o corpo docente como o corpo discente), estabelecendo pontos de contato entre as diversas disciplinas e atividades do currículo;
D)    desenvolver atitude de busca, de pesquisa, de transformação, construção, investigação e descoberta;
E)    definir uma base teórica única como eixo norteador de todo o trabalho escolar, seja ideológica (que tipo de homem queremos formar), psicopedagógica (que teoria de aprendizagem fundamenta o projeto escolar) ou relacional ( como são as relações interpessoais, a questão do poder, da autonomia e da centralização decisória na escola);
F)    dinamizar a coordenação de área (trabalho integrado com conteúdos afins, evitando repetições inúteis e cansativas), começando pelo confronto dos planos de curso das diversas disciplinas, analisando e refazendo os programas, em conjunto, atualizando-os, enriquecendo-os ou "enxugando-os", iniciando-se assim, uma real revisão curricular;
G)    resgatar o sentido do humano, o mais profundo e significativo eixo da interdisciplinaridade, perguntando-se a todo momento: - "o que há de profundamento humano neste novo conteúdo?" ou – "em que este conteúdo contribui para que os alunos se tornem mais humanos?"
H) trabalhar com a pedagogia de projetos, que elimina a artificialidade da escola, aproximando-a da vida real, e estimula a iniciativa, a criatividade, a cooperação e a co-responsabilidade. Desenvolver projetos na escola é, seguramente, a melhor maneira de garantir a integração de conteúdos pretendida pelo currículo interdisciplinar.
Um projeto surge de uma situação, de uma necessidade sentida pela própria turma e consta de um conjunto de tarefas planejadas e empreendidas espontaneamente pelo grupo, em torno de um objetivo comum.
Para Jolibert, "a pedagogia de projetos permite viver numa escola alicerçada no real, aberta a múltiplas relações com o exterior; nela a criança trabalha ‘pra valer’ e dispõe dos meios para afirmar-se como agente de seus aprendizados, produzindo algo que tem sentido e unidade". Realiza-se, assim, a proposta da interdisciplinaridade de buscar o sentido e a unidade do conhecimento e do ser.

 Rosa Maria Calaes de Andrade, Pedagoga e Pós- Graduada em Psicopedagogia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CANIATO, Rodolfo. Com ciência na educação, São Paulo: Papirus, 1989.
FAZENDA, Ivani C. A. (org.) Práticas interdisciplinares na escola. São Paulo: Cortez, 199l.
JOLIBERT, Josette. Formando crianças leitoras . Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
TOFFLER, Alvin. O choque do Futuro. São Paulo: Record, 1970.
DOIS PONTOS – VERÃO 94/95

sábado, 18 de agosto de 2012

DINÂMICA DA PERSONALIDADE




O texto abaixo visa ajudar aos professores a compreenderem melhor o porquê de determinados comportamentos dos alunos. Não é uma aula de psicologia, mais uma forma de favorecer aos educadores uma visão de como a personalidade se forma durante o desenvolvimento humano.

DINÂMICA DA PERSONALIDADE

Funções da Personalidade
Ø  Produzir e reduzir tensões-necessidades.
Ø  Planear a consecução de objetivos distantes.
Ø  Reduzir ou resolver conflitos.
Ø  Ajustar os níveis de aspirações.
Ø  Controlar o comportamento para se adaptar às expectativas do meio.
(Hall, C. & Lindzey, G., 1973)

A dinâmica da Personalidade
? “… O mais importante a descobrir num indivíduo é a direccionalidade das suas atividades, sejam mentais, verbais ou físicas”. (Murray, 1951, p.276)

Necessidade
? “… é um constructo que representa uma força… uma região cerebral… leva o organismo a procurar ou evitar o choque, a prestar atenção e a responder a certas pressões… Cada necessidade é acompanhada de um determinado sentimento ou emoção….  Pode ser débil ou intensa, momentânea ou duradoura. Geralmente ela persiste, dando origem a um comportamento manifesto (ou fantasia) que muda a circunstância inicial, de modo a chegar a uma situação final que tranquiliza o organismo”. (Murray, 1938, p.123-124)

Tipos de Necessidades

ü  Primárias/Viscerogénicas  x  Secundárias/Psicogênicas
Necessidades Primárias: relacionam-se com as ocorrências orgânicas e exigências físicas (ex: alimento, sexo…).
Necessidades Secundárias: originam-se a partir das primárias e derivam da situação (ex: realização). 

ü  Conhecidas/Manifestas x Desconhecidas/Latentes
Necessidades manifestas: a sua expressão é permitida direta e imediatamente; comportamento motor.
Necessidades latentes: geralmente inibidas ou reprimidas; mundo dos sonhos/ fantasias.

ü  Focais x Difusas
Necessidades focais: estritamente associadas a determinadas classes de objetos do meio.
Necessidades difusas: aplicáveis a qualquer situação.

ü  Proativas x Reativas
Necessidades proativas: nascem dentro da própria pessoa e resultam em comportamentos espontâneos.
Necessidades reativas: resultam da reação face aos acontecimentos do meio.

ü  Atividade Natural x Necessidades modais x Necessidades-efeito
Atividade natural: realização de certos atos pelo prazer de os realizar.
Necessidades modais: realização de uma ação com algum grau de qualidade.
Necessidades-efeito: conduzem a um estado desejado/resultado positivo.
(Hall, C. & Lindzey, G., 1973), (Geiwitz, P. J., 1973)

Pressão
v  Determinantes significativos do comportamento do meio externo.
v  Propriedade de um objeto/sujeito a qual facilita ou impede os esforços do indivíduo para alcançar o seu objetivo.
v  Dois tipos de pressão: beta e alfa.
Beta: Significado dos objetos do meio enquanto interpretados pelo sujeito.
Alfa:  Relacionada com as propriedades dos objetos do meio tal como existem na realidade.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000), (Hall, C. & Lindzey, G., 1973)

Redução da tensão
? Necessidade  _ estado de tensão _ redução no momento em que  a necessidade é satisfeita.
? O indivíduo não só a aprende a reduzir a tensão como também a produzi-la para a voltar a reduzir.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000), (Hall, C. & Lindzey, G., 1973)

Tema _Unidade interativa do comportamento I Pressões e Necessidades
(Hall, C.& Lindzey, G., 1973)

Unidade – Tema
e “É um composto de necessidades dominantes em colaboração ou em conflito, ligadas à pressão a que o indivíduo esteve exposto, numa ou mais ocasiões, agradáveis ou traumáticas, na primeira infância.” (Murray, 1938, p.604 - 605)

Necessidade integrada
e Necessidade de determinada interação com certa espécie de pessoa ou objeto;
e Integração da necessidade e da imagem do objeto bem como de atos instrumentais.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000)

Esquema Valor – Vector
Valor ?                       Vector?
Algo sobre o                 Formas de
qual se age                   comportamento em
(conhecimento,             reação a algo
ideologia).                    (rejeição, agressão).
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000), (Geiwitz, P. J., 1973)

Determinantes sócio-culturais
*      Crença interacionista: Convicção de que o pleno entendimento do comportamento só acontecerá quando tanto o sujeito quanto o objeto estiverem representados.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000)

Processo de socialização
*      A personalidade é o compromisso entre os impulsos do indivíduo e as exigências expressas pelos padrões culturais a que o indivíduo está exposto.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000)

Singularidade
*      Ênfase dada às características individuais de cada sujeito, e a cada evento do comportamento.
(Hall, C., Lindzey, G. & Campbell, J., 2000)




quinta-feira, 31 de maio de 2012

VOCÊ PARTICIPA DA EDUCAÇÃO DO SEU FILHO?



Perguntas que proporcionam uma reflexão:

1.    Você conhece os professores do seu filho?
2.    Você vai às reuniões de pais e mestres?
3.    Como é a sua participação na reunião de pais e mestres?
4.    Como você incentiva seu filho a ler?
5.    Como você acompanha as lições de casa?
6.    Qual o local da residência que seu filho estuda?
7.    Você deixa seu filho faltar às aulas?
8.    O que você faz se o seu filho não tem um bom rendimento escolar?

“A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório. Filho é para sempre”. Içami Tiba

terça-feira, 10 de abril de 2012

BULLYING NA ESCOLA






O termo bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são características essenciais que tornam possível a intimidação da vítima.
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de bullying possíveis, relacionamos algumas ações que podem estar presentes: Agredir, Amedrontar, Assediar, Aterrorizar, Colocar apelidos, Chutar, Discriminar, Dominar, Empurrar, Encarnar, Excluir, Fazer sofrer, Ferir, Gozar, Humilhar, Ignorar, Intimidar, Isolar, Ofender, Perseguir, Roubar, Sacanear, Tiranizar, Zoar.
O bullying é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana.
Algumas características podem ser destacadas, dependendo da situação de cada aluno, diante dos papéis que venham a representar: ALVOS DE BULLYING (são os alunos que sofrem), ALVOS/AUTORES DE BULLYING (são os alunos que ora sofrem, ora praticam), AUTORES DE BULLYING (são os alunos que só praticam) e TESTEMUNHAS DE BULLYING (são os alunos que não sofrem e nem praticam, mas convivem no ambiente escolar onde ocorre).
Os autores são, geralmente, alunos que têm pouca empatia. Pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais tendem a exercer uma autoridade pobre sobre eles, tolerando e oferecendo, como modelo para solucionar conflitos, um comportamento agressivo e/ou explosivo. Admite-se que os que praticam bullying têm grandes possibilidades de se tornarem adultos com atitudes anti-sociais e/ou violentas, podendo vir a adotar, atos delinqüentes e /ou criminosos.
Os alvos são estudantes que são prejudicadas, que sofrem as conseqüências dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si. São, geralmente, pouco sociáveis. Um sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda. São sujeitos com dificuldades de se adequarem ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções negativas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem serem merecedores do que lhe é imposto. Têm poucos amigos, são passivos e não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Tendem a ter baixo desempenho escolar, resistindo ou recusando-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Trocam de escola com freqüência ou abandonam os estudos. Há adolescentes que, com depressão, acabam tentando ou cometendo o suicídio.
As testemunhas são a grande maioria dos alunos, que convivem com a violência e se calam pelo temor de se tornarem as próximas vítimas. Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitos deles, podem se sentir incomodados com o que vêem e inseguros sobre o que fazer. Alguns reagem diante da violação de seu direito de estudar em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Seja qual for às situações poderá haver influência negativa na sua capacidade de progredir intelectualmente e socialmente.
Quando não há intervenções efetivas contra o bullying, o ambiente escolar torna-se inseguro e tenso. Todas as crianças e/ou adolescentes, sem exceção, são afetadas, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos que testemunham as situações de bullying, quando percebem que o comportamento agressivo não traz nenhuma conseqüência a quem o pratica, podem achar por bem adotá-lo, passando a praticar o bullying.
As crianças e/ou adolescentes que sofrem bullying, dependendo de suas características individuais e de suas relações sociais (especialmente a família), poderão não superar, parcial ou totalmente, os traumas sofridos na escola. Tendem a crescer com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima, tornando-se adultos com problemas de relacionamentos. Também há a possibilidade de assumir um comportamento agressivo, ou vir a sofrer ou a praticar o bullying no trabalho (workplace bullying). Em casos extremos, alguns deles poderão tentar ou cometer suicídio.
Aqueles que praticam bullying contra os colegas de escola poderão levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no meio familiar (violência doméstica) ou no ambiente de trabalho (workplace bullying). Como também, muitos autores de bullying, possam vir a se envolver em atos criminosos e/ou delinqüentes.
As testemunhas de bullying também se vêem afetadas por esse ambiente de tensão, podendo se tornar pessoas adultas inseguras e temerosas de que possam vir a se tornar as próximas vítimas.
Atualmente, pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de bullying entre seus alunos desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo.
Para identificar esse tipo de desvio social, é fundamental que, tanto em família quanto na escola, a criança e/ou adolescente tenha a liberdade para dizer o que pensa e o que sente. O diálogo ajuda a entender o cotidiano do aluno. O principal sinal de perigo está naquele aprendiz que vai ficando apático e que se tranca na sua angustia, sem revelar os sentimentos.
Logo, uma saída para resolver o problema de bullying é desenvolver, nas escolas, ações de solidariedade e de resgate de valores de cidadania, tolerância, respeito mútuo entre os discentes e docentes. Como também, estimular e valorizar as individualidades de cada aluno, além de potencializar eventuais diferenças, direcionando-as para aspectos positivos que resultem na melhoria da auto-estima do estudante.
Por fim, neste processo a família e a escola devem compartilhar de uma parceria em que o diálogo, a orientação, a educação e a afetividade sejam os instrumentos utilizados para desenvolver relações de respeito mútuo, tendo como foco as relações humanas.

Texto extraído da Revista Construir Notícias – Nº 40 – Ano 07 – Maio/junho 2008.

domingo, 18 de março de 2012

PROFESSOR X LIDERANÇA

 

 
O PROFESSOR É UM LÍDER...

LIDERANÇA NÃO É COMPETÊNCIA... É UM CONJUNTO DE COMPETÊNCIAS:
  • Trabalhar também causas e não só efeitos;
  • Foco em resultados;
  • Desenvolver pessoas;
  • Comunicação gerencial;
  • Confiança;
  • Controlar o estresse;
  • Administrar conflitos – que as pessoas lidem com os problemas por si mesmas;
  • Provocar ações;
  • Possibilitar percepções;
  • Disposição mais do que posição.

ESTILOS DE LIDERANÇA
LÍDER SITUACIONAL:
  • Estimula para que cada pessoa participe ativamente do trabalho;
  • Não se esquece de planejar o trabalho com o grupo;
  • Colhe sentimentos, opiniões e idéias a respeitos do trabalho;
  • Permite a comunicação objetiva sobre o trabalho;
  • Usa, quando necessário, o poder do argumento, da lógica e do bom senso;
  • Incentiva a cooperação entre as pessoas de seu grupo;
  • Usa sua habilidade contra os insatisfeitos;
  • Estimula o trabalho dos outros, reconhecendo os pontos positivos e encontrando, em parceria, caminhos e soluções para problemas e falhas;
  • Coordena o trabalho do grupo, orientando-o, facilitando as informações necessárias para que produzam;
  • Está atento às diferenças individuais e singularidades de cada pessoa do seu grupo;
  • Preocupa-se com a saúde mental e qualidade de vida dos funcionários.

LÍDER AUTORITÁRIO:                                                                                     
  • Faz-se respeitar por sua autoridade;
  • Não permite conversas nem reclamações;
  • Faz o trabalho a sua maneira usando somente a sua capacidade;
  • Faz respeitar a hierarquia;
  • Faz respeitar somente a sua opinião;
  • Não aceita as idéias dos outros;
  • Adverte quando preciso energicamente os descontentes.

LÍDER LAISSEZ-FAIRE - LIBERAL:
  • Não se prevalece de sua autoridade;
  • Ë muito flexível;
  • Permite a conversa independente do assunto, por acreditar que faz bem ao espírito e o grupo rende mais;
  • Confia demasiadamente na capacidade dos seus subordinados.
  • Permite piadas e brincadeiras;
  • Não exige produção;
  • Permite a liberdade de ação ao grupo;
  • Não se preocupa em dar ou receber opiniões;
  • Se alguém não quer trabalhar, não força a situação;
  • Caso não consiga resultados no trabalho, deixa como está para ver como fica.

O CHEFE (PROFESSOR) IDEAL
  • Satisfaz as necessidades dos seus liderados (alunos);
  • Conhece bem a si mesmo;
  • Conhece bem a sua equipe de trabalho (sala de aula);
  • Define claramente as metas a seguir junto com o grupo (de alunos);
  • Amplia os potenciais das pessoas (dos alunos);
  • É ético e sigiloso no que é necessário;
  • Tem interesse e entusiasmo pelo que faz (docência) e pelas pessoas (dos alunos);
  • Extrai o melhor dos seus liderados (alunos), reconhece os talentos (dos alunos);
  • É flexível e adaptável ao novo;
  • Torce pelo sucesso das outras pessoas (dos seus alunos).

Clarissa Santos Silva