terça-feira, 17 de dezembro de 2013

COMO AUXILIAR A TURMA A SE ORGANIZAR?



O professor deverá sempre buscar atividades que possam colaborar para que todos os alunos adquiram uma nova postura de aprendizagem. Esta tarefa ocorre no dia a dia, na sala de aula, no contato cotidiano com o seu aluno. Contudo, há algumas atividades que podem ser usadas do 1º ao 9º ano.  
Compartilhar experiências 
Organize uma roda de conversa e peça que cada aluno conte para os demais como estuda. Assim, além de observar o que eles ainda não incorporaram, você dá a oportunidade para todos aprenderem com os colegas. É importante lembrar que cada um aprende de uma maneira diferente. Ajude os estudantes a descobrirem o que é melhor para eles, mostrando as opções disponíveis e fazendo-os praticar até encontrar a melhor opção.
 
Aproveitar a lição de casa
 
A atenção que você dá às tarefas interfere na dedicação da turma as elas. Garanta que todos levem para casa as instruções e o material necessários. Além do caderno e do livro, você pode indicar outras fontes de informação que complementem o conteúdo, como vídeos e sites. Para verificar se todos se apropriaram dos conceitos, peça que eles façam uma síntese da aula em casa e, no encontro seguinte, solicite que leiam suas anotações.

Usar bem o caderno

Invista no caderno como instrumento de estudo. Ajude os estudantes a construí-lo de maneira que as informações fiquem claras, lembrando que cada um pode ter um jeito diferente de se organizar. Indique no quadro o que é mais importante para ser destacado e forneça dicas sobre o que deve ser anotado. Depois, para acompanhar se o uso está correto, recolha os cadernos e dê um retorno para a turma, mostrando o que pode ser melhorado.
 Avaliar constantemente

Promova breves e contínuas atividades de avaliação para mensurar o aprendizado da turma. Assim, você estimula uma dedicação constante. Estudar só no dia anterior às provas compromete a aprendizagem e gera ansiedade. O aluno precisa criar o hábito de assistir as aulas, fazer as lições, revisar o que foi dado e ver o que será explorado na aula seguinte. Se ele agir assim sempre, a véspera da prova será apenas um momento de revisão.
Texto extraído da Revista Nova Escola - Outubro/2013

ESTUDO SOB MEDIDA




É importante que o professor ao iniciar o ano letivo oriente o seu aluno nas atividades escolares, seja do 6º ao 9º ano e, no ensino médio. Ele se sentirá acolhido pelo professor.

O Professor deverá mostrar que pequenas atitudes durante a aula e em casa ajudará o aluno a sistematizar o que está aprendendo e se manter sempre preparado para as provas, testes e trabalhos escolares.

As atitudes mais comuns são:

Ambiente: Oriente ao aluno buscar um lugar fixo, silencioso, organizado e bem iluminado, como local de estudos. Pode ser numa biblioteca ou em casa. Estudar na cama perto de TV ou som, bem como durante a refeição pode distrair o aluno e prejudicar o seu aprendizado.

Planejamento: Mostre que organizar bem o tempo e não deixar as tarefas para a última hora, o ajudará a não acumular conteúdos e dificuldades. Mencione que é importante separar os temas que vai estudar e comece pelo que tem mais dificuldade. Acrescente que fazer intervalos breves após cada tema, comer algo ou se exercitar, faz bem para memorizar o conteúdo estudado.

Atenção as Anotações: Mostre ao aluno que deve manter as suas anotações em dia, mesmo se faltar. Na aula, verbalize que ele fique atento para anotar o que for destacado como importante em uma cor diferente. Se usar vermelho para isso, saberá que deve reler o que essa cor estar destacando.

Manter o Conteúdo em Dia: Mencione que o aluno deve estudar todo dia, e nunca no dia anterior à prova ou teste ou apresentação de trabalhos. Na véspera o aluno deve relaxar. Apenas revisará o que foi aprendido e reler as anotações para lembrar dos pontos principais, deixando um tempo para descansar, comer e dormir bem.

Manter uma Leitura Ativa: Oriente o seu aluno a ler todo o texto, para descobrir o tema central do conteúdo. Grifando os trechos principais, fazendo anotações e registrando as dúvidas para serem tiradas na aula seguinte. Sempre usar um dicionário ou uma enciclopédia para pesquisar o que não conhece.

Estudo Coletivo: Incentive o estudo em grupo. Essa é uma maneira de compartilhar o conhecimento. A dúvida de um aluno pode ser resolvida por um outro aluno e, vice versa. Bem como, o professor terá uma ótima oportunidade de conhecer melhor o desenvolvimento cognitivo de cada aluno.
Texto extraído da revista Nova escola - Outubro/2013 

 

sábado, 24 de agosto de 2013

A FORMAÇÃO CONTINUADA DO PROFESSOR E O PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM



O educador deve sempre buscar apreender como a prática pedagógica se desenvolve no contexto escolar, tentando desvendar as relações professor-aluno, suas consequências para o sucesso do processo ensino-aprendizagem e as possíveis causas do fracasso escolar. Tendo-se como referencial teórico as contribuições de educadores e estudiosos que se dedicaram à pesquisa de propostas educacionais voltadas para o desenvolvimento da criança e do adolescente e o sucesso educacional. Também as instituições devem buscar nas recomendações quanto às implicações da gestão escolar, verificando atenção especial ao professor, reavaliando suas funções e compromissos e possibilitando sua orientação por meio de um processo de formação contínua em serviço, privilegiando a relação teoria-prática e o desenvolvimento harmonioso do educando e o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
O Processo de Formação Continuada se inicia com a conscientização de que a tarefa fundamental do educador é a formação do cidadão, procurando resolver com competência seus próprios problemas e buscando saídas para os problemas educacionais. A tarefa mais importante do trabalho pedagógico consiste em proporcionar à criança e ao adolescente oportunidades para encontrar sua identidade. Os professores constituem figura importante no processo de identificação da criança e do adolescente com o adulto, oferecendo-lhe oportunidades para essa identificação, vivendo em sua presença sua identidade pessoal de educador.
Schraml (1968) questiona a identidade do professor e a força de sua influência no desenvolvimento do aluno, assim como o compromisso das instituições formadoras de educadores, responsáveis pela orientação de sua atividade profissional, levando-o ao contato com seres em formação.
Questiona sobre as razões que motivaram o professor para o campo educacional, as alegrias do magistério, a preocupação com a organização de sua própria existência pessoal e a busca de conhecimentos proporcionados pela educação. Chama a atenção para a importância das compensações e frustrações relacionadas às expectativas quanto a seu desempenho profissional, lembrando que a identidade profissional dá a segurança indispensável para que seja capaz de transmitir segurança ao educando.
Ressalta a necessidade de maior cuidado quanto à seleção e orientação dos profissionais responsáveis pela educação, promovendo o autoconhecimento e uma melhor qualificação dos educadores.
O grau de satisfação ou insatisfação do docente, suas expectativas e o tipo de interações que mantém com o educando podem contribuir de maneira positiva ou negativa, tanto no desempenho escolar, quanto no desenvolvimento psicoemocional e social do aluno.
O professor tem de estar consciente de que não basta uma boa proposta pedagógica. Deve estar atento aos valores que passa aos alunos, permeado por suas relações e atitudes, pois elas são assimiladas facilmente e têm uma força muito grande na formação do educando e no sucesso da aprendizagem. Deve ter consciência dos fatores de ordem pessoal que atuam como forças desencadeadoras do processo de ensinar e aprender, permeados pelas interações afetivas e cognitivas nas relações professor-aluno, exigindo que ele se assuma como principal responsável pelo sucesso desse processo.
Meirieu (1998, p. 80) aprofunda a reflexão sobre o ato da aprendizagem e estabelece referências a partir das quais o professor poderá elaborar regular e avaliar sua ação pedagógica.    Analisa o “triângulo pedagógico: educando-saber-educador” e a relação pedagógica, racionalização didática e estratégias individuais de aprendizagem, no processo de ensinar e aprender. Lembra que aprendizagens significativas vão permitir ao aluno construir seus próprios mapas de conhecimento e verdades, a partir de suas vivências.
A cada dia se valoriza mais o caráter construtivo do processo ensino-aprendizagem, priorizando o aluno capaz de selecionar, assimilar, processar e interpretar, conferindo significado a sua aprendizagem. Não se concebe mais a figura do professor e do aluno como simples transmissor e receptor de conhecimentos. Valorizam-se os processos de interação professor-aluno, desencadeando e promovendo a aprendizagem.
O ato educacional implica uma série de decisões sobre o que o educando tem que aprender e sobre as condições oferecidas pelo professor para que o aluno interaja com os conteúdos do ensino.
Coll e Solé (1996, p. 294) alertam para a complexidade da sala de aula com sua realidade permeada por conhecimentos, habilidades, valores e expectativas de seus atores, afirmando que “a aula configura um espaço comunicativo regido por uma série de regras cujo respeito permite que os participantes, o professor e os alunos possam comunicar-se e alcançar os objetivos a que se propõem”.
O processo de ensino-aprendizagem implica a interação de três aspectos: o aluno que busca aprender, o objeto do conhecimento e o professor que interage, buscando favorecer a aprendizagem.
O professor é o orientador, o coordenador e o facilitador do processo de ensino-aprendizagem. Para que sua orientação influa sobre os processos de construção do conhecimento, deve estar atento aos mecanismos das relações interpessoais nas interações com o educando, sem perder de vista que a ajuda pedagógica deve adequar-se às necessidades e características de seus alunos. Sua intervenção pedagógica deve contribuir para que o aluno, frente às motivações do contexto educacional, desenvolva sua capacidade de realizar aprendizagens significativas, aprendendo a aprender e construindo seus conhecimentos.
Delors (2001, p. 90) alerta quanto à complexidade da missão educacional no mundo atual, definindo novas políticas educacionais e organizando-se em tomo de aprendizagens significativas que, ao longo da vida, se constituirão os pilares do conhecimento: “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser”, garantindo que a educação propicie “a descoberta e o fortalecimento do potencial criativo, revelando o tesouro escondido em cada um de nós”.
Evidencia-se, nesse contexto, a necessidade de se dedicar atenção especial à orientação dos professores, por meio de cursos de formação que priorizem a relação teoria-prática, num espaço de construção coletiva de conhecimento, possibilitando o desenvolvimento de competências necessárias a sua atuação profissional, com vistas a favorecer o desenvolvimento integral do educando e o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Os anos 90 e a nova LDB 9394/96 situam a escola no centro dos debates sobre a educação, buscando compreender sua real função social, sua política educacional e a importância do trabalho pedagógico na consecução de seus objetivos, garantindo o sucesso do processo educacional (BRASIL, 1996).
Tendo em vista a consecução dos objetivos educacionais e o sucesso dos projetos pedagógicos, torna-se de fundamental importância a promoção da competência política e técnica de todos os autores do processo educacional, em especial do professor, contribuindo para a melhoria contínua das condições técnicas, organizacionais e humanas. Para que isso aconteça deve-se propiciar a formação continuada do educador, em consonância com as necessidades da organização escolar. O desencadeamento de um processo de formação contínua dos professores em serviço, possibilitando-lhes condições para refletirem sobre sua prática, ajudando-os a compreender o contexto de sua ação docente, buscando vislumbrar a importância de seu papel como educadores, pode mudar a ação docente, levando a práticas comprometidas com os processos de tomada de decisão e de produção do conhecimento, com a realidade dos alunos, com a melhoria do processo ensino-aprendizagem e com a participação efetiva na formação integral do educando e o desenvolvimento de competências pedagógicas necessárias a sua atuação profissional, com vistas a favorecer o desenvolvimento harmonioso do educando e o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Finalmente o educador deve ficar em alerta quanto à necessidade de se repensar o trabalho didático e as relações professor-aluno, assim como propiciar o desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional, no próprio contexto educacional, envolvendo todos os elementos responsáveis pelo processo. Deve acreditar que a mudança não depende apenas da conscientização de si mesmo, mas principalmente do apoio técnico, pedagógico e administrativo, numa constante reavaliação e reformulação da prática educacional, buscando significado para seu ser e seu fazer.
O professor deve ter a preocupação constante de atualizar-se, procedendo a uma revisão crítica de sua proposta pedagógica e de sua atuação, possibilitando aprendizagens significativas, favorecendo o desenvolvimento afetivo cognitivo e o sucesso do processo ensino-aprendizagem.
Portanto, as instituições devem promover o desenvolvimento desse professor, orientando-o e assistindo-o na organização de um ambiente escolar e no processo ensino-aprendizagem significativo para o educando. Assim, permitirá a formação de jovens que pensem, sintam e atribuam valores, como indivíduos criativos e produtivos, conscientes de seu próprio valor pessoal, interessados na condição humana, capazes de idealizar e vislumbrar um melhor, do qual possam fazer parte.

Referências

COLL; SOLÉ. A interação professor/aluno no processo ensino e aprendizagem. in: COLL, C.,
PALÁCIOS, J. E MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação. Porto Alegre: Artes
Médicas, 1986 (Coleção Psicologia e Educação).
DELORS, J. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, 2001.
MEIRIEU, P. Aprender... Sim, mas como? Porto Alegre: Artmed, 1998.
SCHRAML, Walter J. A higiene psíquica do pedagogo. In: Introdução à psicologia profunda para
educadores. São Paulo: EPU, 1976.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO

 

A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação. A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis, determinados. As tecnologias que num primeiro momento são utilizadas de forma separada – computador, celular, Internet, mp3, câmera digital – e caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valor. 
O computador continua, mas ligado à internet, à câmera digital, ao celular, ao mp3, principalmente nos pockets ou computadores de mão. O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços.
Estas tecnologias começam a afetar profundamente a educação. Esta sempre esteve e continua presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar, grade curricular. Há vinte anos, para aprender oficialmente, tínhamos que ir a uma escola. E hoje? Continuamos, na maioria das situações, indo ao mesmo lugar, obrigatoriamente, para aprender. Há mudanças, mas são pequenas, ínfimas, diante do peso da organização escolar como local e tempo fixos, programados, oficiais de aprendizagem.
As tecnologias chegaram à escola, mas estas sempre privilegiaram mais o controle a modernização da infraestrutura e a gestão do que a mudança. Os programas de gestão administrativa estão mais desenvolvidos do que os voltados à aprendizagem. Há avanços na virtualização da aprendizagem, mas só conseguem arranhar superficialmente a estrutura pesada em que estão estruturados os vários níveis de ensino. Apesar da resistência institucional, as pressões pelas mudanças são cada vez mais fortes.
 As empresas estão muito ativas na educação on-line e buscam nas universidades mais agilidade, flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada. Os avanços na educação à distância com a LDB e a Internet estão sendo notáveis. A LDB legalizou a educação à distância e a Internet lhe tirou o ar de isolamento, de atraso, de ensino de segunda classe. A interconectividade que a Internet e as redes desenvolveram nestes últimos anos está começando a revolucionar a forma de ensinar e aprender.
As redes, principalmente a Internet, estão começando a provocar mudanças profundas na educação presencial e a distância. Na presencial, desenraizam o conceito de ensino-aprendizagem localizado e temporalizado. Podemos aprender desde vários lugares, ao mesmo tempo, on e off line, juntos e separados. Como nos bancos, temos nossa agência (escola) que é nosso ponto de referência; só que agora não precisamos ir até lá o tempo todo para poder aprender. As redes também estão provocando mudanças profundas na educação à distância. Antes a EAD era uma atividade muito solitária e exigia muito autodisciplina. Agora com as redes a EAD continua como uma atividade individual, combinada com a possibilidade de comunicação instantânea, de criar grupos de aprendizagem, integrando a aprendizagem pessoal com a grupal. A educação presencial está incorporando tecnologias, funções, atividades que eram típicas da educação à distância, e a EAD está descobrindo que pode ensinar de forma menos individualista, mantendo um equilíbrio entre a flexibilidade e a interação.
Alguns problemas na integração das tecnologias na educação
A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam predominando, apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para o de aprendizagem. Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar tradicional, que as inovações serão mais lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.
Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os processos de aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. À distância será possível, mas não fácil. Os alunos estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva, controladora, repetidora. Os professores percebem que precisam mudar, mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efetuem.
Frequentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas com a Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente. A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém que os cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído ao longo do curso. É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação em longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática.
Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso à distância encarece o custo final. Mesmo com tecnologias de ponta, ainda temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e alunos maduros intelectual, emocional e eticamente; pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar; pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que aproximam o pensar do viver. Os educadores marcantes atraem não só pelas suas ideias, mas pelo contato pessoal. Transmitem bondade e competência, tanto no plano pessoal, familiar como no social, dentro e fora da aula, no presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem, nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se, de agir. E eles, numa sociedade cada vez mais complexa e virtual, se tornarão referências necessárias.
Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TEORIAS DA APRENDIZAGEM





Para muitos educadores, voltarmos a discutir as teorias de aprendizagem pode ser um fato repetitivo e, até por sua vez chato, mas se observarmos muitos de nós temos dificuldades em aplicá-las no nosso dia a dia, pois estamos sempre direcionados para os conceitos e, não para aplicação prática dos conceitos. Portanto, estou analisando-as de forma um pouco mais concreta buscando o nosso cotidiano.
 As teorias de aprendizagem mostram-se coexistentes, ou seja, existem simultaneamente. Hoje em dia as escolas são na grande maioria behavioristas. Observando as teorias de aprendizagem, vimos-se uma diferença com relação à figura do professor e do aluno, onde, o professor é considerado como possuidor de conhecimento ou educador e o aluno é considerado ouvinte ou construtor de seu conhecimento.

Introdução

Para entender os pontos centrais da natureza da aprendizagem é necessário reporta-se ao seu desenvolvimento histórico, filosófico e psicológico. Várias correntes de pensamento se desenvolveram e se definiram para os modelos educacionais: "a corrente empirista, o inatismo ou nativismo, as associacionistas, os teóricos de campos e os teóricos do processamento da informação ou psicologia cognitivista, o construtivismo e sócio-construtivismo". (SILVA, 1998, p.25)
Segundo Mizukami (1986), a corrente empirista fundamenta-se no princípio de que o homem é considerado desde o seu nascimento como sendo uma “tábula rasa”, uma folha de papel em branco, e sobre esta folha vão sendo impressas suas experiências sensório-motoras. O conhecimento é uma cópia de algo dado no mundo externo, ou seja, é uma “descoberta” e é nova para o sujeito que a faz. Portanto, o que foi descoberto já se encontrava presente na realidade exterior.
O inatismo ou nativismo refere-se à hereditariedade do sujeito. Suas características são determinadas desde o seu nascimento. A hereditariedade permite argumentar que o sujeito é basicamente bom/mau/racional, ativo ou passivo em sua relação com o meio. Presume-se nesta teoria que as propriedades básicas do sujeito como a inteligência, personalidade, motivos, percepções, emoções, existam pré-formadas desde o nascimento.

Teorias de Aprendizagem

1. Associacionista / Behaviorista (Comportamentalismo)

Essas teorias se baseiam na similaridade das tarefas. A aprendizagem consiste em gravar respostas corretas e eliminar as incorretas. A transferência da aprendizagem ocorre à medida que existem elementos idênticos em duas situações.
Segundo Barros (1998) os associacionistas têm como principal pressuposto explicar que o comportamento complexo é a combinação de uma série de condutas simples. Os precursores dessa corrente foram Edward L. Thorndike e B. F. Skinner e suas respectivas teorias do comportamento reflexo ou estímulo e resposta.

1.1)  Associacionismo x Aprendizagem
A aprendizagem estabelece novas relações que tem como fundamento a lei da contigüidade (proximidade). De acordo com essa lei, as associações se formam entre as experiências ou as tarefas realizadas pelo sujeito, entre os elementos estímulo percebido ou resposta fornecida pelo próprio sujeito. Isso ocorre quando esses elementos se encontram próximos uns dos outros quer no espaço ou no tempo.
Segundo Bill e Forisha (1978), o conceito de aprendizagem de Thorndike, consiste na formação de laços associativos ou conexões que são os processos de ligação de acontecimentos físicos, estímulos e mentais, percebidos ou sentidos.
A aprendizagem é o processo de selecionar e associar as unidades físicas e as unidades mentais que são percebidas ou sentidas. Este processo é passivo e mecânico. O termo “selecionar e associar”, é conhecido popularmente pelos educadores e psicólogos como “ensaio e erro”.
A aprendizagem corresponde à atividade de gravar respostas corretas e eliminar as incorretas ou desagradáveis, isto é, dentro de um processo de recompensas ou opiniões. Este processo denomina-se “Lei de Efeito”.

1.2)  Behaviorismo/Aprendizagem
O comportamento segundo a psicologia é compreendido para poder prevê-lo e se possível modificá-lo.
Segundo Barros (1998), a relação estímulo-resposta é demonstrada através do esquema de comportamento E-R, onde E significa estímulo ou conjunto de estímulos e R significa reação ou resposta. Sobre este esquema pode-se dizer que um estímulo provoca uma reação (ou resposta) ou uma “reação (ou resposta) é provocada por um estímulo”.
Um aspecto central do comportamento como corrente associacionista é seu anti-construtivismo. Sua teoria é do tipo E-R (estímulo e resposta). Todo o comportamento, por mais complexo que seja, é redutível a uma série de associações entre elementos simples, ou seja, entre estímulos e respostas.
O comportamento tem sido definido como “o conjunto das reações ou respostas que um organismo apresenta às estimulações do ambiente”. (Barros, 1998, p.19). O comportamento é classificado em inato ou natural (invariável), adquirido ou aprendido (variável) e em respondente ou operante.
No comportamento inato ou natural (invariável), os seres da mesma espécie apresentam reações quando recebem determinado estímulo. Ao contrário no comportamento adquirido ou aprendido (variável), as reações necessitam de aprendizagem para se processarem quando o organismo recebe o estímulo.
A aprendizagem é definida como sendo a modificação do comportamento ou aquisição de novas respostas ou reações. Toda a aprendizagem consiste em condicionar respostas. A aprendizagem oral, da linguagem escrita, por exemplo, são reações apresentadas a vários estímulos devido a certas condições de experiência anterior (Barros 1998).
Segundo Gates citado por (Barros 1998, p.25), exemplifica com muita clareza como se dá a aprendizagem pelo processo de condicionamento: quando se mostra a uma criança uma folha, esta reage fazendo a representação mental do objeto. Se, ao mesmo tempo em que o objeto é mostrado, se disser a palavra “folha” e se repetir esta certo número de vezes, a criança chegará a pensar no objeto apenas por ouvir a palavra. Neste caso aprende a significação da linguagem falada. Mais tarde, podemos mostrar o objeto enquanto a criança olha a palavra impressa.
Tempos depois, o objeto, um retrato do objeto, a palavra falada, escrita ou impressa podem se ligar às palavras francesas “La feuille”, e reagindo aos estímulos simultâneos, a criança chegará a pensar no objeto ao ver a palavra francesa.
Na concepção behaviorista, educar seria estabelecer “condicionamentos” na infância. Skinner, em seus experimentos, observou que uma reação é repetida quando é seguida de um efeito agradável.
Edward Lee Torndike formulou a Lei do Efeito que considera que o organismo tende a repetir a reação do efeito agradável. Este efeito que ocorre após o sujeito apresentar uma reação é chamado de reforço positivo. E, de acordo com Barros (1998), é um requisito necessário para que ocorra a aprendizagem. É neste sentido que o sujeito do bahaviorismo é passivo, e a aprendizagem não é uma qualidade intrínseca do organismo, mas necessita ser impulsionada a partir do ambiente.
Skinner (apud Barros 1998) conceitua os reforços como eventos que tornam uma reação mais freqüente, e aumentam a probabilidade de sua ocorrência. Os reforços se classificam em positivos e negativos. Os reforços positivos consistem na apresentação de estímulos, no acréscimo de um evento à situação. Os reforços negativos por sua vez, consistem na remoção de um evento. Nestes dois tipos de reforços, o efeito será o mesmo e a probabilidade da resposta será aumentada.
Os reforços positivos se constituem na apresentação de estímulos, no acréscimo de alguma coisa. A situação e os reforços negativos é a remoção de alguma coisa da situação. Classificam-se também em primários e secundários. Nos reforços primários a apresentação de estímulos é de importância biológica, e o reforço secundário é a apresentação de um estímulo, que antes era neutro, passa a associar-se a estímulos de importância biológica e sua propriedade reforçada foi adquirida como, por exemplo, o elogio, o sorriso, o dinheiro, etc.
O organismo humano seria então, controlado pelas contingências primárias (naturais), e nisso consiste o processo de educação ou treinamento social, isto é, aumentar as contingências de reforço e sua freqüência utilizando-se de sistemas organizados, pragmáticos, que lançam mão de reforços secundários associados aos primários (naturais). A finalidade dessa associação é de obter determinados comportamentos preestabelecidos, seja com maior ou menor rigor. O objetivo do reforço é, portanto, tornar uma resposta freqüente, ou seja, evitar a extinção (remoção) de uma resposta do comportamento do sujeito (Mizukami, 1986).

1.3)  Aplicação no Processo Ensino-aprendizagem
Segundo Mizukami (1986), no ensino-aprendizagem os comportamentos dos alunos são listados e mantidos por condicionamentos e reforçadores arbitrários tais como elogios, graus, notas, prêmios, reconhecimento do professor e colegas, prestígio, etc.; os mesmos estão associados com uma classe reforçadora mais generalizada como o diploma, vantagens da futura profissão, a aprovação final do curso, status, etc.
O ensino para Skinner corresponde ao arranjo de contingências para uma aprendizagem eficaz. Este arranjo depende de elementos observáveis na presença dos quais o comportamento ocorre, seja uma resposta, um evento antecedente um evento conseqüente (reforço) e fatores contextuais.
Para este mesmo autor, de acordo com a teoria do reforço, é possível programar o ensino para qualquer comportamento, como o pensamento crítico e criatividade, desde que seja possível definir previamente o plano final desejado.
A proposta de aprendizagem será estruturada de maneira a dirigir os alunos pelos caminhos adequados que conduzirão ao comportamento final desejado. Ainda segundo Skinner, o comportamento humano é modelado e reforçado, o que implica em recompensa e reforço. Para proceder à análise comportamental do ensino, é necessário considerar os elementos do ensino, bem como as respostas do aluno, pois o ensino é composto por padrões de comportamento, seguindo objetivos prefixados (Mizukami, 1986).
No comportamentalismo, o homem é considerado como uma conseqüência das influências do meio ambiente é considerado como produto do meio (Mizukami, 1986) e este pode ser manipulado. Para que a formulação das relações entre o organismo e seu meio ambiente sejam adequadas, é necessário considerar três aspectos: a ocasião na qual a resposta ocorreu à própria resposta e as conseqüências reforçadas. A relação entre esses elementos constituem as contingências de reforço.
Skinner (1986) considera que qualquer ambiente físico ou social, deve ser avaliado de acordo com seus efeitos sobre a natureza humana. Para este autor, o conhecimento tem como base a experiência planejada, sendo resultado direto da experiência. Sua preocupação, portanto, não é com a aprendizagem, e sim com o comportamento observável.
A educação está intimamente ligada à transmissão cultural, pois deverá transmitir os conhecimentos assim como os comportamentos éticos, práticos e sociais. São habilidades consideradas básicas para a manipulação e controle do mundo/ambiente (cultural etc.). A educação tem como objetivo básico promover mudanças desejáveis no sujeito. Essas mudanças implicariam na aquisição de novos comportamentos e também na modificação dos comportamentos já existentes (Mizukami, 1986).
A escola direciona os comportamentos dos alunos, segundo determinadas finalidades sociais. O conteúdo pessoal será socialmente aceito. Os conteúdos programáticos serão estabelecidos e ordenados numa seqüência lógica e psicológica. É matéria de ensino apenas o que é redutível ao conhecimento observável e mensurável.

a) Papel do professor e do Aluno

a.1)Papel do Professor
Em uma abordagem behaviorista (comportamentalista), o professor é considerado transmissor de conhecimento ao aluno e administra as condições da transmissão do conteúdo. Nesta teoria o professor é considerado um planejador e um analista de contingências. O professor deverá decidir os passos de ensino, os objetivos intermediários e finais com base em critérios que fixam os comportamentos de entrada e os comportamentos que o aluno deverá exibir durante o processo de ensino.
O professor tem uma função de arranjar as contingências de reforço de maneira a possibilitar o aumento da probabilidade de ocorrência de uma resposta a ser aprendida. Ela deverá dispor e planejar melhor as contingências desses reforços em relação às respostas. O professor acaba por ser um elo de ligação entre a verdade científica e o aluno.
O professor tem também a função de garantir a eficácia da transmissão do conhecimento, não importando as relações afetivas e pessoais dos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem. Sua tarefa é modelar respostas apropriadas aos objetivos instrucionais, sendo que a principal é conseguir um comportamento adequado.
Ao mestre cabe questionar cada conteúdo a ser apresentado. O aluno é incapaz de assimilar algo novo. Uma vez que o sujeito é considerado totalmente determinado pelo mundo do objeto ou meio físico e social. Em uma sala de aula, o mundo é representado pelo professor que acredita que somente ele pode produzir e transferir novos conhecimentos para o aluno. Este processo, portanto, não considera o que o estudante sabe. Em nível de abstração ou formalização, tudo pode ser transferido ou transmitido para o aluno (Becker, 1989).

a.2) Papel do aluno
Em uma abordagem behaviorista o aluno não possui qualquer conhecimento. A capacidade de conhecimento do aluno vem do meio físico/social. O aluno recebe, escuta, escreve e repete as informações tantas vezes quanto forem necessárias, até acumular em sua mente o conteúdo que o professor repassou.
O aluno aprende se executar os conteúdos que o professor determinar. Ele é responsivo, aprende se o professor ensinar (Becker, 1989). Com base nesta informação pode-se dizer que o professor transmite e ensina todo o conteúdo em questão ao aluno. O aluno não cria nem inventa, reproduz o que aprende.

b) Tarefa prescrita do professor e do aluno no desenvolvimento ensino-aprendizagem

b.1)Tarefa prescrita do professor
  • Transmite o conhecimento;
  • Determina o objetivo;
  • Determina o ritmo do ensino;
  • Fixa os comportamentos finais do aluno;
  • Avalia o aluno segundo os objetivos alcançados.

b.2)Tarefa prescrita do aluno
  • Escuta o professor;
  • Repete as informações transmitidas pelo mestre, tantas vezes quanto for necessário, para aprender o conteúdo transmitido;
  • Questiona pouco (ou quase nada);
  • Procura repetir o conhecimento do professor (na maioria das vezes utilizando-se do mesmo vocabulário);
  • É pouco criativo.

c) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
O aluno será avaliado ao atingir os objetivos propostos, isto é, quando o programa for conduzido até o final de maneira correta. A avaliação será ligada aos objetivos estabelecidos. Pode-se fazer pré-testagem, com a finalidade de conhecer os comportamentos prévios e a partir daí, planejar e executar as etapas seguintes do processo ensino-aprendizagem. Os alunos são modelados à medida que tem conhecimento dos resultados de seu comportamento. No final do processo ocorre a avaliação com o objetivo de medir os comportamentos finais.

2. Gestalt

Esta teoria Tem com base a representação global de uma situação. As escolas da corrente dos teóricos de campo são representadas na Gestalt e suas teorias são centradas sobre a atividade do indivíduo.
Segundo Barros (1988), a Gestalt é representada pelos alemães Wertheimer, Koffka e Köhler, e Para os representantes da corrente Gestáltica (psicologia da forma) a atividade e o comportamento do sujeito são determinados de acordo com o modo pelo qual vê e compreende a estrutura dos elementos da situação problema. Para Koffka a percepção e pensamento não podem ser reduzidos a um acúmulo de sensações ou associações individuais, mas, são determinadas pela estrutura global.
Para Pozo (1988), o paradigma da aprendizagem consiste na solução de problemas que tem como princípio o todo (a globalidade) para as partes (o todo não pode ser compreendido pela separação das partes) e na organização dos padrões de percepção.
Em Pozo (1998), na Gestalt, as idéias de Köhler (1929) são opostas aos princípios do associacionismo (ou anti-construtivista). Esta escola não aceita a concepção do conhecimento como a soma de partes re-existentes. A unidade mínima de análise é a estrutura ou a globalidade.
Rejeita a idéia de que o conhecimento tenha natureza cumulativa ou quantitativa, de tal maneira que qualquer atividade ou procedimento poderia transformar-se em várias partes aleatoriamente separadas.
A insistência na estrutura global dos fatos e dos conhecimentos concede maior importância à compreensão do que a simples acumulação de conhecimentos. Isso fez com que Wertheimer em 1945 distinguisse o pensamento reprodutivo do pensamento produtivo. O pensamento reprodutivo se constitui de conhecimentos previamente adquiridos às situações novas e o pensamento produtivo por sua vez, implica no descobrimento de uma organização perceptiva ou conceitual, com relação ao problema a ser tratado, isto é, a compreensão real do problema, como compreender o problema que é vantajoso em relação à simples aprendizagem mnemônica ou reprodutiva. Isso porque essa compreensão resulta mais fácil de ser generalizada a outros problemas estruturalmente semelhante.
Para este autor, obter a solução produtiva de um problema é algo fundamental para a compreensão do mesmo. Para que ocorra uma solução produtiva de um problema, é necessário captar aspectos estruturais da situação além de elementos que a compõem (Pozo, 1998).

2.1) Gestalt x Aprendizagem
O psicólogo Wertheimer (1945) utiliza-se da história da ciência como área de estudo da psicologia do pensamento e da aprendizagem. Este autor considera que cada um dos mecanismos de aprendizagem associativa corresponde a um mecanismo alternativo nas concepções gestálticas (Pozo 1998).
Wertheimer considera ainda que a associação seja como a compreensão da relação estrutural entre uma série de elementos que necessitam uns dos outros, auxiliando dessa forma a captar as relações entre os elementos dentro da estrutura. O “ensaio e erro” deixariam de ser aleatório (incerto), para se converter em uma comprovação estrutural de hipóteses significativas. O aluno aprende reinterpretando seus erros e acertos, compreendendo as razões estruturais que o tornaram possível.
A compreensão de um problema para Wertheimer está vinculada a uma tomada de consciência de seus aspectos estruturais ou “insight”, que significa “achar subtamente a solução para uma situação difícil”, “perceber relações entre os elementos de uma situação”. O “insight” só é possível quando uma situação de aprendizagem é arranjada de maneira que se possam observar todos os seus aspectos. Se houver a omissão de qualquer um dos aspectos, não ocorrerá o “insight”, portanto, não haverá solução.
Se um problema tiver várias estruturas e alguma delas resultar mais imediata ou mais fácil para que o sujeito perceba a reestruturação dessas estruturas vai se apresentar mais facilmente, mais imediata.
Segundo Barros (1998), na teoria da Gestalt o sujeito tem várias formas de aprendizagem, que são: gradação, diferenciação, assimilação e redefinição.
A aprendizagem por gradação implica em estabelecer um relacionamento sucessivo entre as várias partes de algo percebido. Kölher, em seus experimentos, demonstrou que o aluno quando do início de sua aprendizagem, percebe a forma total, a Gestalt das coisas. O autor aconselha que o ensino inicial para os alunos, deve ser composto de frases e palavras completas oportunizando o estabelecimento deste tipo de ralação. Em uma frase completa, o aluno percebe as sílabas e as letras.
O processo de diferenciação consiste em destacar, no todo, uma parte do objeto que se está percebendo. Isso ocorre quando um elemento é apresentado em diferentes situações, permitindo que a mente o estaque como sendo o mais notado entre os demais, ou como sendo uma figura, permitindo que as partes restantes formem o fundo. Este princípio é chamado de princípio da unidade dentro da variedade de diferentes situações, sendo uma condição de extrema importância para que se diferencie um elemento entre os demais. Como exemplo, pode-se apresentar no início da aprendizagem uma mesma palavra em várias frases de modo que a mesma se destaque. Como por exemplo: Lili tem uma pata; A pata nada no lago; As penas da pata são brancas.
Ainda no processo de diferenciação, existe um segundo princípio que permite o destaque de um elemento da situação total denominado princípio da variedade dentro da unidade. No ensino da leitura, introduzem-se aos poucos alguns fatores novos entre os já conhecidos. Num texto, por exemplo, aparecem, dentro de sentenças já conhecidas e muito repetidas, algumas formas gráficas novas. Como por exemplo: Lili tem um boné, Lalau tem uma boneca; olhe a bola, olhe o bolo; olhe o papel, olhe o papelão.
O processo de redefinição consiste em perceber um mesmo estímulo de modo inteiramente novo, segundo a situação total ou a forma que ele se apresenta, ou seja, sua posição em relação aos demais estímulos ou ainda segundo a natureza dos outros estímulos componentes da situação em que ele nos é apresentado. Grisi “esclarece este processo quando apresenta um exemplo que mostra formas diferentes de perceber um simples ponto“. Para ele, o ponto pode ser definido como ponto final em uma sentença, como um pingo da letra “i” ou ainda como um sinal de abreviatura (Barros,1998).
O processo de assimilação segue ao de diferenciação, onde uma parte da situação total é destacada pelo processo de diferenciação, tornando-se figura. Esta figura pode se reunir às outras, constituindo novas estruturas pelo processo de assimilação. Em relação à leitura, o aprendizado por assimilação ilustra-se pelo fato de que o aluno no início de sua aprendizagem por assimilação é capaz de escrever uma palavra nova, a palavra camelo, por exemplo, por ter aprendido anteriormente as palavras boneca, menino e lobo.
A Gestalt defende o caráter inato das leis da percepção e da organização do conhecimento e, baseia-se na categorização direta dos objetos, quase de forma imediata. O pensamento encontra-se mediado por estruturas de conceitos de natureza e origens muito diferentes. A tomada de consciência ou insight adquire dimensões diferentes em um e outro caso. A tomada de consciência conceitual requer uma reflexão a respeito do próprio pensamento que, necessariamente, não está presente no insight perceptivo. O sujeito somente pode tomar consciência de algo que já está presente nele, embora se desconheça as etapas precedentes (Pozo, 1998).
Essa teoria contribui com alguns conceitos que embora em sua formulação inicial sejam vagos ou pouco operacionais, lembram conceitos nucleares de uma teoria de aprendizagem alternativa ao associacionismo. Assim, ela estabelece diferenças entre o pensamento reprodutivo e produtivo (consiste na compreensão real do problema), e em conseqüência entre a aprendizagem mnemônica e compreensiva considerando a aprendizagem compreensiva um produto do insight, ou reestruturação súbita do problema. Esta estruturação está vinculada ao conceito de equilíbrio que é desenvolvido por Piaget.

2.2) Papel do professor e papel do Aluno

a) Papel do professor
Na Gestalt, o ensino é centrado no aluno e o professor tem como função dar assistência ao aluno de forma a não transmitir o conhecimento. Ele deve ser um facilitador da aprendizagem, que consiste na compreensão, aceitação e confiança em relação ao aluno. Deve aceitar o aluno como ele é.
O professor deve possuir um estilo próprio para “facilitar” a aprendizagem. Sua intervenção deverá ser a mínima possível, devendo criar um clima favorável de aprendizagem. O conteúdo não deve ser repassado, uma vez que ele é adquirido da experiência vivida do aluno.
Para o professor, qualquer ação que o aluno decide fazer deve ser considerada como boa e instrutiva. Cabe ao professor auxiliar a aprendizagem do aluno de maneira a despertar o seu próprio conhecimento (Becker, 1992).

b) Papel do Aluno
O aluno deve ser responsabilizar pelos objetivos referentes à aprendizagem que lhes são significativos. Ele é compreendido como um ser que se auto-desenvolve e o processo de aprendizagem deve facilitar este desenvolvimento. O aluno aprende por si mesmo, encontrando o seu próprio caminho. Cabe aos alunos pesquisar os conteúdos, criticar, aperfeiçoar ou até mesmo modificá-los (Becker, 1992).

c) Tarefa Prescrita do Professor e do Aluno no desenvolvimento Ensino–aprendizagem

c.1) Tarefa prescrita do professor
  • organizar o conteúdo do todo para as partes, isto é, do geral para o particular;
  • divisão do problema em problemas menores para facilitar a compreensão do aluno;
  • definição clara dos objetivos;
  • apresentar o mesmo problema sob diferentes formas;
  • intervir o mínimo possível.

c.2) Tarefa prescrita do aluno
  • analisar seus erros, encontrando assim a solução;
  • avaliar seu processo de aprendizagem (auto-avaliação);

d) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
A avaliação só tem sentido como uma auto-avaliação e deve estar de acordo com os padrões prefixados pelos alunos. Os alunos aprendem o que desejam aprender. Não existe qualquer padronização. Ele deverá assumir a responsabilidade pelas formas de controle de sua aprendizagem, definindo e aplicando critérios para avaliar se os objetivos foram atingidos. Após esta auto-avaliação o professor faz a sua avaliação de maneira a perceber se os objetivos foram atingidos atribuindo ao aluno um conceito.
3. Representativas / Cognitivas / Aprendizagem Social

3.1 Teorias Representativas
As teorias representativas centram-se sobre o estabelecimento de uma significação. Na obra de Flávell (1975), encontra-se uma coletânea de idéias elaboradas por Piaget, que permite dizer que a representação tem início no sujeito quando ele consegue diferenciar entre o “significante” e o “significado”. Entende-se por significante uma palavra, uma imagem que representa internamente o significado ausente. O significado é o conceito desta palavra ou imagem. Este é um requisito indispensável para que exista a representação.
Piaget define a representação como sendo a “capacidade de evocar uma imagem simbólica, um objeto ausente ou a ação que não foi realizada” Batro (1978).
Para Richard (1990) as representações são construções que constituem o conjunto das informações levadas em conta pelo sistema cognitivo na realização da tarefa.
Já segundo Rosa (1998), a representação é uma forma estrutural que organiza os conhecimentos.

a) A Representação x Aprendizagem
A aprendizagem acontece quando se estabelece uma relação significativa entre os elementos que constituem uma situação. A transferência da aprendizagem ocorre quando existe similaridade (semelhança) entre as situações. A aprendizagem acontece quando o sujeito consegue organizar ou estruturar uma dada situação.

b) O papel do professor e do aluno

b.1) Papel do professor
O professor tem como função apresentar ao aluno problemas de modo que este identifique e diferencie o significante do significado. Estes problemas devem apresentar-se de tal maneira que o aluno a partir de suas experiências anteriores, possa evocar (lembrar) os elementos ausentes.
Estes elementos contribuem para a estruturação do problema.
O professor deve conhecer as experiências anteriores do aluno para observar com profundidade suas representações com relação às atividades ligadas à ação (execução do problema). A partir do momento que o aluno estruturar e conceituar um problema, estará aprendendo.

b.2) Papel do aluno
O aluno terá como atribuição, a resolução de problemas a partir da seleção de elementos que são úteis e estão relacionados à ação. A seleção de elementos necessários à formação estrutural do problema dependerá da experiência vivida pelo aluno.
A facilidade ou dificuldade na diferenciação do significante e significado e, conseqüentemente, a formação do conceito durante a aprendizagem são próprias do aluno em particular. A resolução de um problema pode seguir caminhos diferentes.

c) Tarefa prescrita do professor e do aluno

c.1) Tarefa prescrita do professor
O professor deve propor um problema que:
  • direcione o aluno a buscar elementos, conforme sua necessidade;
  • propicie a identificação e diferenciação entre significante e significado;
  • desperte no aluno a utilização de suas experiências anteriores para evocar os elementos ausentes;
  • capacite o aluno a estruturá-lo;
  • tenha caminhos diferentes que leve à solução.

c.2) Tarefa prescrita do aluno
O aluno deve:
  • selecionar os elementos que são úteis à estruturação do problema;
  • agrupar os elementos selecionados aos seus esquemas disponíveis;
  • diferenciar significante de significado;
  • significado aos elementos;
  • atribuir o conceito ao significado da situação e interpretar o conjunto da mesma.

d) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
A avaliação deve ser feita através da observação e da capacidade do aluno de diferenciar significante e significado. Deve-se observar a capacidade do aluno de estruturar uma situação e os caminhos que percorre para buscar o resultado, que é a aprendizagem.

3.2) Teorias Cognitivas
O processamento da informação ou teoria cognitiva aborda o estudo da mente e da inteligência em termos de representações mentais e dos “processos centrais” do sujeito, ambos dificilmente observáveis. Nesta teoria, o conhecimento consiste em integrar e processar as informações.
Segundo Mizukami (1986), uma abordagem cognitiva envolve vários aspectos tais como, estudar cientificamente a aprendizagem como sendo um produto do ambiente das pessoas ou de fatores que são externos a elas. Estuda-se como as pessoas lidam com os estímulos ambientais, organizam dados, sentem e resolvem problemas, adquirem conceitos e empregam símbolos, constituindo, assim, a investigação como um todo.
Os teóricos cognitivistas se opõem à aprendizagem behaviorista que parte do princípio de que o aluno consegue o mesmo entendimento daquele que transmite o conhecimento, uma vez que eles buscam pesquisar a mente humana. E para tanto estudam os mecanismos subjacentes no comportamento humano.
Segundo Wadsworth (1993), Piaget define a inteligência como a adaptação que tem como característica o equilíbrio entre o organismo e o meio, que resulta na interação entre o processo de assimilação e acomodação, que é o motor da aprendizagem. Este autor apresenta o conceito do processo de assimilação e acomodação. O processo de assimilação consiste em uma mudança quantitativa no sujeito, mediante a incorporação de elementos que vêm do meio para as suas estruturas mentais já existentes, o que implica no seu desenvolvimento intelectual. O processo de acomodação consiste em uma mudança qualitativa na estrutura intelectual (esquema) do sujeito pelas quais se adapta ao meio. Ele cria novas estruturas ou altera às já existentes em função das características de novas situações. A assimilação e a acomodação juntas justificam a adaptação.
As estruturas do conhecimento são como os esquemas, vão se tornando mais complexos sobre o efeito combinado dos mecanismos da assimilação e acomodação. Comenta ainda que o sujeito ao nascer não possua qualquer estrutura de conhecimento e sim reflexas como sucção e um modo de emprego destes reflexos para a elaboração dos esquemas que irão desenvolver.
Segundo Mizukami (1986) a aquisição do conhecimento cognitivo ocorre sempre que uma nova informação é assimilada à estrutura mental existente (esquema) que ao fazer esta acomodação, modifica-se permitindo um processo contínuo dos mecanismos internos.
Nos vários trabalhos de Piaget, encontra-se o desenvolvimento da inteligência definido como um processo contínuo, e que as mudanças no desenvolvimento intelectual, são gradativas, e os esquemas são construídos ou modificados de forma gradual. Então define o crescimento cognitivo, e julga necessário dividir o desenvolvimento intelectual em estágios: da inteligência sensório-motora (0-2 anos), do pensamento pré-operacional (2-7 anos), das operações concretas (7-11anos) e das operações formais (7-15anos).
A primeira forma de inteligência é uma estrutura sensório-motora. Durante este estágio, o comportamento é basicamente motor. Não há lógica. O sujeito não representa e não “pensa” conceitualmente. Esse estágio torna-se estável entre os 18 e 24 meses.
O estágio do pensamento pré-operacional caracteriza-se pelo desenvolvimento da linguagem e outras formas de representação, e também pelo rápido desenvolvimento conceitual. O raciocínio, nesse estágio, é pré-lógico ou semiológico. O que o sujeito adquire através da ação, irá aprender a fazer em pensamento.
No estágio das operações concretas, o sujeito faz novas modificações, desenvolve a habilidade de aplicar o pensamento lógico a problemas concretos. Esta fase precede à anterior e seu equilíbrio acontece ente os 7 e 11 anos.
No estágio das operações formais, as estruturas cognitivas alcançam seu nível mais elevado de desenvolvimento; os sujeitos tornam-se capazes de aplicar o raciocínio lógico a todas as classes de problemas, ou seja, aplicam não mais aos objetos presentes, mas aos objetos ausentes e hipotéticos.
O desenvolvimento das estruturas mentais é um processo coerente de sucessivas mudanças qualitativas das estruturas cognitivas (esquemas). A estrutura e a mudança lógica são resultantes da estrutura precedente.
Para Wadsworth (1993), o desenvolvimento da inteligência acontece desde o nascimento até a fase adulta. As estruturas da inteligência e os esquemas estão em constante desenvolvimento à medida que o sujeito age de forma espontânea sobre o meio e assimila e se acomoda a arranjos de estímulos do meio ambiente. Este autor considera quatro fatores relacionados ao desenvolvimento cognitivo: maturação, interação social, experiência ativa, e uma sucessão geral de equilíbrio.
  • maturação: são os processos neuropsicológicos que o sujeito passa para adquirir a aprendizagem.
  • interação social: é o relacionamento com a imposição do nível operatório das regras, valores e signos da sociedade na qual o sujeito se desenvolve, e com as interações realizadas entre os sujeitos que compõem o grupo social;
  • experiência ativa: segundo Mizukami (1986), este fator pode acontecer sob três tipos:
ü  devido ao exercício, resultando na consolidação e coordenação de reflexos hereditários, o exercício de operações intelectuais aplicadas ao objeto;
ü  devido à experiência física, que comporta ações sobre o objeto para descobrir as propriedades que são abstraídas desses objetos, e resultado da ação está vinculado ao objeto;
ü  a experiência lógico-matemática, implica na ação sobre os objetos, de forma a descobrir propriedade que são abstraídas destas pelo sujeito. Consistem em conhecimentos retirados das ações sobre os objetos típicos do estágio operatório formal, que é o resultado da equilibração, cuja condição para obter é a interação do sujeito com o meio.
Os fatores relacionados ao desenvolvimento cognitivo como a maturação, interação social e a experiência ativa, não são suficientes para explicar o desenvolvimento cognitivo necessitando segundo Piaget, de um quarto fator, a equilibração. Equilibração: é o mecanismo auto-regulador necessário para assegurar uma eficiente interação do sujeito com o meio ambiente. É o processo de passagem do desequilíbrio para o equilíbrio, cujos instrumentos são a assimilação e a acomodação.
Para Piaget a teoria epistemológica busca o saber como, quando e por que o conhecimento se constrói, cuja repercussão incide na área educacional. Sua teoria segundo Mizukami (1986) é predominantemente interacionista e seus postulados sobre o desenvolvimento da autonomia, cooperação, criatividade e atividades centradas no sujeito, influenciaram práticas pedagógicas ativas centradas nas tarefas individuais, na solução de problemas, na valorização do erro dentre outras orientações pedagógicas.
Na área de Informática, esta teoria contribui para modelagens computacionais na área de Inteligência Aplicada (IA), no desenvolvimento de linguagens e dentre outras modalidades, no ensino auxiliado por computador sob a orientação construtivista.
A linguagem LOGO, criado por Papert caracteriza-se como um ambiente de aprendizagem, embasado no construtivismo. O ambiente LOGO dá condições ao aluno de construir os mecanismos do pensamento e os conhecimentos a partir das interações que têm relações com seu ambiente psíquico e social.

a) Ensino Aprendizagem
Segundo Mizukami (1986), que se baseia nas idéias de Piaget, o ensino numa concepção cognitivista que procura desenvolver a inteligência, deverá em primeiro lugar priorizar as atividades do sujeito considerando-o inserido em uma situação social. A concepção piagentiana de aprendizagem tem caráter de abertura e comporta possibilidades de novas indagações, assim como toda a sua teoria e epistemologia genética.
A aprendizagem consiste em assimilar o objeto a esquemas mentais. O aluno aprende dependendo da esquematização presente, do estágio e da forma de relacionamento atual com o meio. Como conseqüência, o ensino deve assumir várias formas durante o seu desenvolvimento.
Assim a aprendizagem ocorre com base em tentativas e erros através da pesquisa feita pelo aluno, eliminando-se as fórmulas, nomenclaturas, definições, etc. O aluno parte de suas próprias descobertas, ele irá compreender o objetivo principal do ensino, que são os processos e não os produtos de aprendizagem. A aprendizagem só ocorre a partir do momento em que o aluno elabora o seu próprio conhecimento.
O ensino deve levar progressivamente ao desenvolvimento de operações, evitando a formação de hábitos que constituem a fixação de uma forma de ação, sem reversibilidade e associatividade. O desenvolvimento seria os mecanismos gerais do ato de pensar e conhecer, inerente à inteligência.
O ensino dos fatos devem ser substituídos pelo ensino de relações, desenvolvendo a inteligência, uma vez que a inteligência é um mecanismo de fazer relações. Nessa abordagem o ensino deve estar baseado em proposições de problemas. É necessário, então, que se considere o “aprender a aprender” (Mizukami, 1986, p.77).

b) Papel do professor e do aluno

b.1) Papel do Professor
O professor tem como função criar situações que propiciam condições que possam estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional. Ele deve evitar a rotina, e a fixação de respostas e hábitos.
Ele deve também propor problemas ao aluno, sem que lhes ensine a solução. Deve provocar desequilíbrios, desafios, mas para tanto é importante que conheça o aluno. A orientação, a autonomia e a ampla margem de autocontrole aos alunos deve ser concedida pelo professor.
O professor deve assumir o papel de mediador, investigador, pesquisador, orientador e coordenador. É necessário sua convivência com os alunos para observar os seus comportamentos, promovendo diálogos com eles, perguntando e, sendo interrogado; realizar com os alunos suas próprias experiências para auxiliar na sua aprendizagem e desenvolvimento.

b.2) Papel do aluno
O aluno deve ser ativo e observador. Ele deve experimentar comparar, relacionar, analisar, justapor, encaixar, levantar hipótese, argumentar, etc. Cabe ao aluno encontrar a solução dos problemas que lhes são apresentados.

c) Tarefa prescrita do professor e do aluno no desenvolvimento ensino-aprendizagem

c.1) Tarefa prescrita do professor
  • criar condições propícias ao estabelecimento da reciprocidade intelectual;
  • propor problemas que não exijam uma resposta única, evitando a fixação, rotina e hábitos; o problema deve ser construído de maneira que o aluno tente e consiga resolvê-lo, sem que lhe ensine a solução;
  • provocar desequilíbrios;
  • observar o comportamento do aluno, através de conversas e perguntas, possibilitando o aluno fazer perguntas que possam auxiliar na aprendizagem;
  • construir os dispositivos de partida que possibilitem a apresentação de problemas úteis ao aluno;
  • deve organizar contra-exemplos que levem o aluno a reflexão.

c.2) Tarefa prescrita do aluno
  • ser observador;
  • ser ativo;
  • experimentar;
  • comparar;
  • relacionar;

d) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
Na avaliação, deve-se proceder de forma a verificar se o aluno adquiriu noções, conservações, se realizou operações, relações, etc. O rendimento do aluno pode ser avaliado de acordo com a sua aproximação a uma norma qualificativa pretendida. Uma das formas que se pode verificar o rendimento é também através de reproduções livres, sob diferentes formas e ângulos, através explicações práticas, explicações causais, expressões próprias, relacionamentos, etc.

3.3) Teoria de Aprendizagem Social

A teoria de aprendizagem social, segundo Pfromm (1987) versa sobre o estudo da observação e a imitação feita pelo sujeito. Na década de 60, Albert Bandura realizou pesquisas com crianças que incidiam sobre a imitação. Ele dedicou-se à pesquisa e à teorização sobre a aprendizagem social por observação. Nesta abordagem, o comportamento de um observador se modifica em conseqüência da exposição do comportamento de um modelo. A este tipo de aprendizagem o autor denominou de “modelação”. O modelo utilizado pode ser da vida real como também um modelo simbólico, observado em um filme na televisão, no rádio, livros e revistas, etc. Na aprendizagem por observação, os comportamentos específicos exibidos pelo modelo são chamados de pistas de modelação. Para o autor os sujeitos aprendem simplesmente olhando o que o modelo faz, embora não procurem ativa e espontaneamente imitá-lo.
A aprendizagem por observação ocorre em três estágios: exposição, aquisição e aceitação. Durante a exposição, o observador se vê diante de pistas de modelação. A aquisição por sua vez, é comprovada pela capacidade do observador de reproduzir ou evocar os comportamentos do modelo a que foi exposto e, aceitação, que é traduzida no uso, pelo observador das pistas de modelação adquiridas, quer na imitação direta do comportamento do modelo, quer na contra-imitação direta, que consiste em evitar o comportamento modelado.
O comportamento específico observado pode generalizar-se a tipos semelhantes de comportamentos e tratar ainda dos processos de desinibição e inibição. Sendo o processo de inibição a não aceitação generalizada e o processo de desinibição, a aceitação generalizada para uma classe geral de comportamentos, a partir de um comportamento modelado específico.
Na aprendizagem social por observação, destacam-se quatro processos: atenção, retenção, reprodução motora e motivacional. No processo de atenção, o sujeito deve prestar atenção ao modelo e aos aspectos críticos do comportamento deste mesmo modelo. Na retenção, o comportamento do modelo necessita ser codificado ou simbolicamente representado e retido na memória do observador.
A reprodução motora é responsável pela cópia fiel dos movimentos do modelo, e o processo motivacional, atua sob a forma de reforço da resposta aprendida que pode ser externo (como exemplo, uma recompensa dada ao observador), vicário (um modelo recompensado ou punido).
Este reforço pode ser visto em um determinado programa de televisão, que se transfere ao observador ou do tipo conhecido como auto-reforço, que se pode exemplificar como no caso da satisfação pessoal em que o observador experimenta após imitar o comportamento observado.
A noção de auto-eficácia ultimamente passou a ocupar a posição central. Na teoria cognitiva de Albert Bandura, a auto-eficácia refere-se à convicção de que o sujeito tem que pode executar algo com êxito e à confiança em sua capacidade de alcançar objetivos em situações específicas graças às próprias ações. A auto-eficácia inclui também a percepção generalizada do sujeito capaz de controlar o ambiente como uma percepção específica de sua capacidade de executar uma tarefa particular.
Qualquer aprendizagem ou modificação de comportamento segundo o autor só é bem sucedida quando se cria ou fortalece a crença do sujeito em sua eficácia pessoal. Ele coloca ainda, como indispensável que o sujeito conte com as capacidades necessárias para a execução da tarefa e com motivação ou incentivo para fazê-la.
As mudanças no comportamento do sujeito são determinadas pelos perceptos de sua auto-eficácia. Nessas mudanças, considera-se as ações que o sujeito procura executar, o esforço dedicado a essas ações, sua persistência, considerando obstáculos, pensamentos e sentimentos. A auto-eficácia é influenciada de modos diferentes como: concretização do desempenho, experiências vicárias, indução verbal e ativação emocional.
  • concretização do desempenho, isto é, completa efetivamente a tarefa real, que constitui a principal fonte de elevação ou redução de nossas expectativas de auto-eficácia;
  • experiências vicárias, consiste na observação de desempenhos de outros sujeitos;
  • indução verbal, consiste em levar outra pessoa, oralmente ou por escrito a acreditar que pode ser bem sucedida;
  • ativação emocional, trabalhar as pistas internas, de caráter afetivo ou fisiológico, que o sujeito usa para julgar seu entusiasmo ou sua vulnerabilidade em relação a determinados desempenhos.

a) Papel do professor e do aluno

a.1) Papel do professor
Na teoria de aprendizagem social, o professor tem como função apresentar um modelo que pode ser real ou simbólico. Ele deve criar ou propor um modelo que mostre, com evidência, as pistas de modelação (os comportamentos específicos). Este modelo proposto deve ser codificado ou ser simbolicamente representado para facilitar a memorização do aluno. O professor pode premiar punir, motivar ou incentivar o comportamento do aluno (do modelo).

a.2) Papel do aluno
Na aprendizagem social, o aluno tem como papel principal aprender mediante a apresentação de um modelo que pode ser real ou simbólico. Ele desempenha a função de observador, fixando sua atenção nos aspectos críticos do modelo, ou seja, retendo os comportamentos específicos desse modelo na sua memória. Este comportamento é aprendido através da imitação, onde buscará fazer a cópia fiel dos movimentos desse modelo que é facilitada através da identificação das pistas de modelação. Pode-se dizer então, que os alunos aprendem por meio da observação, imitando os comportamentos de outros sujeitos (modelo).

c) Tarefa prescrita do professor e do aluno no desenvolvimento no ensino-aprendizagem

c.1) Tarefa prescrita do professor
  • apresentar modelo real ou simbólico;
  • criar um modelo em que as pistas de modelação estejam presentes;
  • propor um modelo codificado ou que esteja simbolicamente representado;
  • motivar, premiar, punir, incentivar o comportamento do aluno.

c.2) Tarefa prescrita do aluno
  • aprender mediante apresentação de um modelo;
  • prestar atenção ao modelo proposto, destacando os aspectos críticos;
  • aprender através da imitação;
  • reter o comportamento do modelo na memória;
  • identificar as pistas de modelação para facilitar sua aprendizagem;
  • fazer cópia fiel do movimento do modelo apresentado;
  • aprender através da observação de outros sujeitos.

d) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
Para avaliar o aluno, deve-se verificar sua observação com relação ao modelo apresentado e suas respectivas pistas e conseqüentemente, verificar a existência da cópia fiel desse modelo.

4. Teoria Sócio-Construtivista

Segundo Gilly (1995), a abordagem sócio-construtivista do desenvolvimento cognitivo é centrada na origem social da inteligência e no estudo dos processos sócio-cognitivos de seu desenvolvimento. Os trabalhos sobre esses processos se fundamentam na teoria do psicólogo Lev Vygotsky e é relativa aos processos físicos superiores.
Gilly (1995) e Gaonnach’h (1995) apresentam duas formas de funcionamento mental chamadas de processos mentais elementares e os processos superiores. Os processos metais elementares correspondem ao estágio da inteligência sensório-motora de Jean Piaget, que é derivado do capital genético da espécie, e da maturação biológica e da experiência da criança com seu ambiente físico. Os processos psicológicos superiores, de acordo com Oliveira (1993), são construídos ao longo da história social do homem. Essa transformação acontece através da relação do homem com o mundo que é mediada pelos instrumentos simbólicos e são desenvolvidos culturalmente, possibilitando uma diferenciação do homem em relação aos outros animais, na forma de agir e na interação com o mundo.
Gilly (1995) classifica três princípios fundamentais interdependentes que dão suporte à teoria de desenvolvimento dos processos mentais superiores:
  • relação entre a educação, a aprendizagem e ao desenvolvimento;
  • função da mediação social nas relações entre o indivíduo e o seu meio (mediação por ferramenta);
  • atividade psíquica intra-individuais (mediação por signos) e a passagem entre o inter-psíquico para o intra-psíquico nas situações de comunicação social.
Para Vygotsky o desenvolvimento é considerado como uma conseqüência das aprendizagem com que o sujeito é confrontado. Seu estudo passa necessariamente, pela análise de situações sociais que favorecem ao sujeito construir seu meio físico, pois, numa abordagem sócio-construtivista o desenvolvimento cognitivo envolve as interações sujeito-objeto-contexto social.
Em Pozo (1998), o funcionamento cognitivo superior considerado por Vygotsky está ligado às relações sociais pelas transformações do processo interpessoal para o intrapessoal. Nessa teoria, o desenvolvimento resulta na zona de desenvolvimento proximal (ZDP).
Moll (1996) explica como o sujeito reorganiza o pensamento que se manifesta inicialmente, entre as pessoas e grupos de forma tal que os sujeitos, aos poucos, aumentam seu controle e direcionam o seu próprio pensamento e relações com o mundo no qual eles sempre se matem interdependentes.
A ZDP compreende a diferença entre o desenvolvimento efetivo e o desenvolvimento potencial. No desenvolvimento efetivo, o sujeito consegue resolver problemas sozinho, sem qualquer auxílio de outra pessoa ou mediadores externos. No desenvolvimento potencial, o sujeito torna-se capaz de resolver problemas, mas com o auxílio de outras pessoas ou instrumentos mediadores externos tais como um professor, pais, colegas, etc.
Para Vygotsky a função da mediação social nas relações entre o indivíduo e o seu meio ocorre através de “ferramenta” (mediação por ferramenta), e na atividade física intraindivíduo é feita através de sinais (mediação por sinais) (Oliveira, 1993).
A atividade humana deve ser socialmente mediatisada considerando a atividade exterior que envolve as relações do homem com a natureza, ou de uma atividade interior que trata da atividade física. Essas atividades são socialmente mediatisadas ou instrumentadas e transformadas por ferramentas socialmente elaboradas.
Vygotsky afirma que o homem não age direto sobre a natureza. Ele faz uso de dois tipos de instrumentos em função do tipo de atividade que a torna possível, considerando o mais simples instrumento a mediação por “ferramenta” que são elaboradas por gerações anteriores. Elas atuam sobre o estímulo, modificando-o. A ferramenta transforma a atividade.
O outro tipo de instrumento mediador são os “sinais” ou símbolos, que medeiam às ações do sujeito. O sistema de sinais mais comum é a linguagem falada. O sinal modifica o sujeito que dele faz uso como mediador. O sinal atua sobre a interação do sujeito com o seu meio.
A ferramenta serve de condutora da influência humana na resolução da atividade, provoca mudanças no objeto. O sinal é um meio da atividade física interna e encontra-se orientado internamente. Ele muda o sujeito e o sujeito muda o objeto.

a) Papel do professor e do aluno

a.1) Papel do professor
A função do professor é a de orientar de forma ativa e servir de guia para o aluno, de forma a oferecer apoio cognitivo. O professor deve ser capaz de ajudá-lo a entender um determinado assunto e, ao mesmo tempo, relacioná-lo ao conteúdo com experiências pessoais e o contexto no qual o conhecimento será aplicado. Ele deve também interferir na zona de desenvolvimento proximal de cada aluno, provocando avanços não ocorridos espontaneamente por este aluno.
Várias atividades oferecidas devem ser flexíveis, permitindo ajustes no plano de aula. A intervenção por parte do professor é fundamental para o desenvolvimento do aluno. Ele deve intervir, questionando as respostas do aluno, para observar como a interferência de outro sujeito atinge no seu desenvolvimento e observar os processos psicológicos em transformação e não apenas os resultados do desempenho do aluno.

a.2) Papel do aluno
O aluno deve construir a compreensão do assunto que lhe for apresentado. Ele é considerado possuidor de conhecimentos, devendo integrar-se ao meio, mas guiado pelo professor.

b)Tarefa prescrita do professor e do aluno no desenvolvimento ensino-aprendizagem

b.1) Tarefa prescrita do professor
  • manter uma relação amigável com os alunos;
  • servir de guia para os alunos;
  • propor um plano de atividades que seja flexível às mudanças;
  • propor várias atividades, das simples às complexas;
  • criar um ambiente que proporcione ao aluno liberdade de expor suas experiências pessoais, de maneira a associá-las ao conteúdo em estudo;
  • deve preocupar-se com cada aluno em si, com o processo e não com os produtos da aprendizagem padronizada.
  • promover diálogo, oportunizando a cooperação, a união e organização até alcançar a solução dos problemas;
  • assumir o papel de educando.

b.2) Tarefa prescrita do aluno
  • construir sua própria compreensão dos assuntos em estudo;
  • trazer suas experiências para serem discutidas em sala de aula;
  • ser amigo do professor e dos outros alunos;
  • ser participante das reuniões promovidas em sala de aula;
  • participar do processo de aprendizagem juntamente com o professor;
  • assumir o papel de educador;
  • reelaborar os significados que lhes são transmitidos pelo grupo cultural;
  • criar algo de novo a partir da observação feita nos outros;
  • interagir com outros alunos.
                                                
c) Avaliação no Processo Ensino-aprendizagem
A avaliação do processo consiste na auto-avaliação e/ou avaliação mútua. A avaliação dispensa qualquer processo formal tais como nota, exames, etc. neste processo, tanto o professor como o aluno saberão suas dificuldades e também seus processos. O professor pode observar a evolução da representação do aluno, se ele construiu seu conhecimento com relação ao que se propõe.