sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

COMO MELHORAR A COMUNICAÇÃO ENTRE PAIS E FILHOS


A NOVA ESTRUTURA FAMILIAR

A relação entre pais e filhos tem mudado radicalmente nas últimas gerações. Devido às transformações sociais, o casal, na atualidade, trabalha fora e divide as tarefas domesticas e a educação dos filhos de maneira mais equilibrada. Há poucas gerações, não era comum ver um pai dar mamadeira ao bebê. Não era papel de o homem acompanhar os estudos dos filhos nem dividir com eles seus problemas.
A função das mulheres na família também mudou. Como trabalham fora de casa, sua visão do mundo se ampliou, modificando profundamente sua relação com a família em muitos sentidos. Essa nova situação levou a mulher a pensar sobre a necessidade de comunicar-se melhor com seus filhos. Geralmente, a mãe que se dedica apenas ao trabalho doméstico não questiona a comunicação que tem com os filhos porque passa o dia todo com eles. As mães que trabalham fora, porém, tendem a desenvolver um sentimento de culpa que as estimula a procurar qualidade durante o tempo que estão com seus filhos, mais do que quantidade. Nesse aspecto, é notável a mudança ocorrida no interior da família.
É amplamente conhecido o fato de que o filho se identifica com o pai e a filha, com a mãe. Por ser esse um dos fatores determinantes para a formação do caráter da criança, a relação entre pais e filhos e a boa comunicação entre os pais são fundamentais. Embora, o que se denomina “masculino” e “feminino”, os interesses, a roupa e certo tipo de comportamento dependem dos padrões culturais e educativos daquela família. Na atualidade, a maioria das mulheres não corresponde à imagem de passividade e fragilidade que era considerado a essência da feminilidade para as gerações anteriores.
Trabalhar com as crianças em algumas atividades tradicionalmente feminina ou masculina – carpintaria, costura, execução de bijuteria, fazer doces e construir maquetes, entre outras – pode gerar intensa comunicação e amizade entre pais e filhos. É importante que as atividades escolhidas sejam adequadas para que a criança possa realmente participar e sentir que faz algo proveitoso. Pois, ela não consegue concentrar a atenção por muito tempo, e os pais devem saber quando ela chegou ao limite.

APOIE OS INTERESSES DO SEU FILHO

Apoiar os interesses do filho pode ser uma grande oportunidade para melhorar a comunicação com ele. Trata-se de identificar na criança o que mais lhe interessa e apoiá-la em seu desenvolvimento, mas não é recomendável, em nenhum aspecto, forçá-la. Alguns pais movidos por frustrações pessoais pressionam seus filhos para que se destaquem na música, no tênis, na pintura ou em qualquer outra área na qual eles mesmos fracassaram. Se a criança gosta de pintar, matricule-a num curso de pintura, leve-a a museus, comente com ela seus desenhos, estimule sua criatividade, se prefere a música, compre discos, escute-os a seu lado, cante com ela.
A leitura em voz alta pode ser fundamental para a convivência entre pais e filhos. Crianças de todas as idades são fascinadas por histórias infantis. Leia-as em voz alta e permita que a criança lhe faça perguntas sobre o texto. Quando ela pedir, repita uma página ou leia outra vez o livro todo.
Ajude-a a desenvolver ao máximo as suas capacidades e, sobretudo, demonstre seu apoio e disposição para escutá-la. Essa atitude beneficiará a criança em todos os níveis. Os estudos sobre o rendimento escolar demonstram que a participação dos pais é essencial. Quando a criança percebe o interesse dos pais, procura ser bem sucedida. O mesmo acontece com os esportes e as atividades artísticas.

COMPARTILHE NOVAS EXPERIÊNCIAS COM SEU FILHO

Lembre-se que o interesse da criança é a base para o estabelecimento de uma boa comunicação, o que também se aplica a outras atividades que costumam ser realizadas no tempo livre. Antes de fazer despesas, é importante descobrir qual é, realmente, o interesse da criança. Por exemplo, algumas crianças pequenas gostam de ir ao futebol, mais interessadas nos doces e brinquedos que são vendidos no local do que no jogo em si. O mesmo ocorre com os passeios no campo e as excursões. É possível que os pais pensem que as crianças apreciarão uma pescaria, quando o que mais lhes interessa é brincar no rio.
Os pais terão grande prazer em reviver suas próprias experiências infantis e identificar-se com seu filho a cada momento. A primeira ida ao cinema, ao zoológico ou à praia podem ser altamente estimulantes. Não é necessário preparar passeios complicados às vezes pode ser suficiente observar uma borboleta, um inseto ou um formigueiro no parque.

AUTO-ESTIMA E COMUNICAÇÃO

Uma boa comunicação com o filho pode ser definitiva para o desenvolvimento de sua auto-estima. Faça o possível para que seu filho se sinta aceito como é. Também é importante demonstrar que ele é aceito independentemente do sucesso que obtenha em algumas coisas. É bom fazê-lo sentir sua aprovação quando faz algo bem feito, mas não limite suas demonstrações de afeto apenas a esses momentos. A confiança em si mesma será um fator determinante para o desenvolvimento da personalidade de criança. Demonstre sua confiança na capacidade de seu filho resolver sozinho seus problemas. Não faça o trabalho da criança. Dê a ela responsabilidades dentro de casa, de acordo com sua idade e capacidade. Criticar demais a criança, dizer-lhe constantemente o que deve fazer, decidir tudo por ela e censurá-la quando fracassa são atitudes que podem facilmente diminuir sua auto-estima.
Estimule a habilidade de seu filho para procurar novos amigos. Comente com ele as qualidades de seus amiguinhos, ou converse sobre o que ele mais gosta nas outras crianças. Quando ele tiver algum problema de relacionamento com os amigos, demonstre apoio e confiança em sua capacidade de resolver satisfatoriamente o conflito. Ensine a seu filho o valor da amizade sendo seu amigo.

AJUDE SEU FILHO A EXPRESSAR SEUS SENTIMENTOS

Um dos motivos que você tenha um bom relacionamento com seu filho é fazer com que ele aprenda a comunicar-se. A criança precisa saber que suas idéias e sentimentos são importantes porque fazem parte da sua personalidade. Incentive-a a dividir com você suas idéias, inquietações e medos. Ainda que você se sinta incomodado por algum sentimento de seu filho, não o rejeite. Se o fizer, a criança aprenderá que não é bom demonstrar o quer pensa. Procure compreendê-la. A maioria das crianças é naturalmente afetuosa e demonstra carinho pelos pais sem que seja necessário estimulá-las.

A TELEVISÃO

A televisão é, sem dúvida, fonte de entretenimento. Muitos pais temem que a violência dos programas de televisão seja prejudicial aos filhos e que o excesso de publicidade estimule o consumismo indiscriminado. Temem que a passividade se transforme num modo de vida para as crianças que passam muito tempo diante da televisão. Tudo isso pode ser resolvido se forem estabelecidas algumas normas, como limite de horários – para que o ato de ver televisão não interfira nos estudos – e seleção de programas adequados. É recomendável que os pais vejam televisão com os filhos, pelo menos alguns programas. Isso dará oportunidade para comentar o conteúdo da programação, enquanto a criança poderá esclarecer suas dúvidas e confusões sobre os assuntos. Também abre a possibilidade de despertar o interesse dos demais membros da família.

A COMUNICAÇÃO

Conversar constitui um enorme prazer para o ser humano. Estimule em seu filho a arte de conversar para que ele compreenda que é uma das melhores atividades de que as pessoas dispõem para desfrutar a companhia umas das outras. É necessário desenvolver o hábito de ouvir. Quem fala primeiro deve transmitir seu desejo de comunicação. A conversa entre pais e filhos pode começar com uma simples pergunta. Um dos pontos mais curiosos da infância são as respostas das crianças às perguntas mais simples, principalmente, no caso de crianças em idade pré-escolar. Os pais que aprendem a escutar seus filhos descobrem uma experiência fantástica e enriquecedora.
Comunicar-se com os filhos toma tempo e requer dedicação. É necessário deixar de lado as preocupações do dia-a-dia para estar em contato com as crianças. Sem dúvida, o esforço vale a pena.

Publicação da Barsa Planeta Internacional Ltda.      

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O DECÁLOGO DA TOLERÂNCIA



Especialistas elegem dez dicas para conter a animosidade fraternal

Harmonia forçada não existe – A paz familiar não deve ser imposta pelos pais. Filhos brigam, esperneiam, choram. Isso é normal. Em vez de harmonia, muito melhor é pensar em integração.

Rivalidade sob medida – Quanto menor for à diferença de idade, maior será a probabilidade de conflitos. Devem ser evitadas comparações em boletins escolares ou no desempenho em esportes.

Mais clareza nas regras – O processo educativo em casa pede normas e limites precisos. Isso ajuda a formar a identidade.

Juízes domésticos falham – Os pais não devem arbitrar as disputas entre os filhos. Muitas vezes é melhor que eles resolvam os conflitos sozinhos.

Não há justiça perfeita – É impossível contentar a todos sempre. Filhos devem aprender que há dias em que se perde e outros em que se ganha. Assim é a vida.

A distância ideal – Especialistas apóiam a diferença média de três anos entre um filho e outro. Acima de oito anos, há uma distância difícil de administrar.

O padrão de cada um – Primogênitos cansam de serem os responsáveis, traço mais fraco nos caçulas. Filhos do meio agradecem uma dose extra de atenção.

Livres de culpas – Estresse profissional, crises de relacionamento ou a chegada de um bebê tumultuam o lar. Os filhos não podem arcar com esse peso.

Tabuleiro familiar – Filhos de outro casamento não são necessariamente rivais. Podem conviver muito bem.

Amigos ajudam a crescer – Pais possessivos é um desastre. Os filhos devem ter a chance de pernoitar ou viajar com os amigos. É uma ótima escola de convivência.


Fonte: Revista Época
               09 de Junho de 2001