Ø Transtorno neurobiológico
Ø Distúrbio de realização (não de aprendizagem)
Ø Pode conduzir a dificuldades emocionais e sociais
Ø Interfere nas habilidades:
- manter atenção
- controle
- inibição
Ø 20 a 30 % apresentam também problemas de aprendizagem
Ø Características básicas: impulsividade, hiperatividade e falta de atenção
Características
Ø Aparecem bem cedo – 1ª infância
Ø Comportamentos crônicos – duração mínima de 6 meses
Ø Instala-se antes dos 7 anos
Ø Podem saber o que deve ser feito:
- Não conseguem parar e pensar antes de agir
- Independentemente do ambiente ou tarefa
Causas (Prováveis)
Ø Não se sabe ao certo ainda
Ø Estudos recentes encaminham pistas para:
- Hereditariedade (pais com TDAH – 5x maior)
- Problemas durante a gravidez ou parto com sofrimento fetal
- Exposição a certas substâncias químicas (chumbo, fumo ...)
- Problemas familiares (discórdia conjugal ...)
Prevalência
Ø 3 a 6% das crianças entre 7 a 14 anos
Ø Poucos dados entre adolescentes acima de 15 anos e menores de 7 anos
Ø Freqüência um pouco maior em meninas (2/1)
Ø Co-morbidade:
- É mais comum ocorrer em conjunto (dois ou mais problemas)
- 50% apresentam também problemas de comportamento (agressividade, mentiras, roubo, oposição, desafio a regras ...)
C Estudos recentes comprovam que 70% das crianças com TDAH mantêm o diagnóstico até os 14 anos e alguns casos por toda a vida.
Sintomas x Desenvolvimento
Ø Pré-escolares: hiperatividade, dificuldade em aceitar limites e tolerar frustrações.
Ø Idade escolar: sintomas combinados e bastante variável nas duas áreas.
Ø Adolescência: mais desatenção e impulsividade
Tipos de TDAH
Ø Desatento
Ø Hiperativo/Impulsivo
Ø Combinado
Ø Não específico
Sintomas
Ø Desatento:
- Não presta atenção a detalhes ou comete enganos por descuido
- Dificuldade de atenção em tarefas e/ou jogos
- Dificuldade de seguir instruções e/ou terminar tarefas
- Desorganização com tarefas e materiais
- Evita atividades que exijam esforço mental continuado
- Perde objetos necessários às atividades
- Distrai-se com facilidade
- Esquece compromissos / tarefas diárias
- Parece não ouvir
C Como diagnosticar TDAH – Desatento:
- Seis ou mais sintomas de desatenção
- Poucos têm sintomas de hiperatividade/impulsividade
- Mais comum em meninas
- Parece mais associado à dificuldade de aprendizagem
Ø Hiperativo – Impulsivo:
- Inquietação (remexe os pés e mãos quando sentado)
- Não pára sentado muito tempo
- Pula, corre muito sem destino (“bicho-carpinteiro”); em adulto (sentimento de inquietação)
- É muito barulhento / È muito agitado
- Fala excessivamente
- Responde antes de se terminar de perguntar
- Dificuldade de esperar sua vez
- Intromete-se em conversas e jogos alheios
C Como diagnosticar TDAH – Hiperativo/Impulsivo:
- Seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade
- Pouco ou nenhum sintoma de desatenção
- Parece mais comum em crianças menores
- Associado a maiores dificuldades de relacionamento com colegas
- Tem mais problemas de comportamento
Ø Combinado (o verdadeiro TDAH):
- Apresenta sintomas dos dois conjuntos de critérios
- Parece estar associado a maiores prejuízos globais na vida da criança
C Como diagnosticar TDAH – Combinado:
- Seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade e de desatenção
Ø Não Específico:
- Apresenta características em número insuficiente para um diagnóstico completo
- Ainda assim, pode desequilibrar a rotina diária
Diagnóstico Geral
1. Considerar múltiplas facetas: intelectual, social e emocional
2. Depressão g falta de atenção
3. Delinqüência g impulsividade
4. Co-morbidade – considerar
- Mais importante: histórico clínico e do desenvolvimento, exame médico = diagnóstico diferencial
- Conjugar dados com diversos adultos que convivem com a criança (professores, pais, parentes e amigos)
5. Mínimo de seis sintomas
6. Presença freqüente (não ocasional)
7. Apresentar em 2 ambientes diferentes (casa e escola)
8. Início dos sintomas - antes dos sete anos (visão clássica)
9. Modernamente (pode aparecer após e até os 12 anos +/-)
10. Se só aparecer na adolescência = raramente é TDAH
11. Ferramentas auxiliares (médico e/ou psicólogo)
- Escala de Conners (p/ pais e professores)
- Escala de Problemas de Atenção do Inventário de Comportamentos de Crianças e Adolescentes (p/ pais e professores)
- Escala de Inteligência de Wechsler p/ Crianças (teste psicológico)
- Testes Neurológicos (teste médico)
12. Diferenciação difícil: hiperatividade x criança ativa
Tratamento
q Intervenção precoce = grande passo
q Exige intervenções múltiplas:
1. Esclarecimento familiar sobre TDAH (c/ profissional de saúde mental)
2. Psicoterapia (às vezes)
3. Apoio com psicopedagogo e/ou reforço escolar de conteúdos
4. Medicação
5. Orientação de manejo p/ a família
6. Orientação de manejo p/ os professores
q Correção de conceitos e rótulos
q Esclarecimento de aspectos essenciais sobre a síndrome
Þ Apoio Psicoterápico:
- Necessário na maior parte das vezes; iniciar com crianças menores
- Estudos indicam como base: estratégias cognitivo-comportamentais
- Atuação sobre os sintomas de ansiedade, depressão, baixa auto-estima ... (muitas vezes acompanham)
Þ Intervenção Psicopedagógica
- 25 a 30% apresentam também problemas de aprendizagem secundários ou associados ao TDAH
- Diagnóstico tardio (lacunas maiores a serem reconstruídas)
- Apenas reforço de aprendizagem não resolve seqüelas que ficaram
- Atendimento pedagógico depois (prevenção de novas lacunas)
Þ Medicação
- Responsabilidade do médico que atende a criança
- Estudos mostram melhora clara em cerca de 70% dos casos
- Teste terapêutico é necessário p/ se estudar a resposta da criança e avaliar cuidadosamente
- Nem todas precisam de medicação (c/ sintomas leves)
- Maioria necessita evitar/diminuir prejuízos significativos em suas vidas
- Mais usado e estudado: estimulantes e antidepressivos
- Agem aumentando a disponibilidade dos neurotransmissores
- Avaliação individualizada pelo médico – além de levar em conta os outros sintomas e diagnóstico de co-morbidade
- Riscos em geral muitos pequenos se usados corretamente
- Riscos da medicação = comparar c/ às conseqüências da não utilização
Orientação aos Pais
Þ Estabeleça as prioridades
1. Relacione as dificuldades e hierarquize
2. Ataque a maior primeiro
3. Só depois de vencida, passe a outra
Þ Pense antes de agir
1. Não tome atitudes de forma precipitada
2. Relacione uma de cada vez
3. Propor tarefas pequenas
Þ Use o reforço positivo (recompensa) antes da punição (ressaltar progressos / evitar críticas constantes)
Þ Constância – não abandonar logo = resultados podem custar
Þ Mesmas atitudes em todos os ambientes
Þ Agir da mesma forma: pai e mãe
Þ Comunique-se com clareza e de forma eficiente
Þ Instruções claras / pedidos feitos um a um
Þ Limites claramente definidos
Þ Propicie atividade física regular / prefira as que tenham regras e limites
Orientação aos Professores
Þ Converse com a criança as formas em que aprende melhor
Þ Alterne as estratégias e recursos até ter certeza do estilo de aprendizagem do aluno:
- Comece com atividades simples
- Encoraje-o com freqüência
- Coloque-o perto de você na sala de aula
Þ A cada semana converse privadamente com a criança / informando-a como está se saindo nas aulas
Þ Agenda diária para comunicar-se com os pais e outros profissionais que lidam com a criança
Þ Deixe as regras de funcionamento da classe em local bem acessível
Þ Regras curtas e claras
Þ Use o mais possível jogos como tarefas = motivação maior, concentração idem
Þ Reduza os testes cronometrados = reforçam a impulsividade e ansiedade
Þ Avalie qualitativamente = essencial é que aprendam
Prognóstico
Clarissa Santos Silva
CRP – 02/3763
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