quinta-feira, 31 de março de 2011

TRANSTORNO DO DÉFICIT DA ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE (TDAH)





O Que é?
Ø  Transtorno neurobiológico
Ø  Distúrbio de realização (não de aprendizagem)
Ø  Pode conduzir a dificuldades emocionais e sociais
Ø  Interfere nas habilidades:
-          manter atenção
-          controle
-          inibição
Ø  20 a 30 % apresentam também problemas de aprendizagem
Ø  Características básicas: impulsividade, hiperatividade e falta de atenção

Características

Ø  Aparecem bem cedo – 1ª infância
Ø  Comportamentos crônicos – duração mínima de 6 meses
Ø  Instala-se antes dos 7 anos
Ø  Podem saber o que deve ser feito:
-          Não conseguem parar e pensar antes de agir
-          Independentemente do ambiente ou tarefa

Causas (Prováveis)
Ø  Não se sabe ao certo ainda
Ø  Estudos recentes encaminham pistas para:
-          Hereditariedade (pais com TDAH – 5x maior)
-          Problemas durante a gravidez ou parto com sofrimento fetal
-          Exposição a certas substâncias químicas (chumbo, fumo ...)
-          Problemas familiares (discórdia conjugal ...)

Prevalência

Ø  3 a 6% das crianças entre 7 a 14 anos
Ø  Poucos dados entre adolescentes acima de 15 anos e menores de 7 anos
Ø  Freqüência um pouco maior em meninas (2/1)
Ø  Co-morbidade:
-          É mais comum ocorrer em conjunto (dois ou mais problemas)
-          50% apresentam também problemas de comportamento (agressividade, mentiras, roubo, oposição, desafio a regras ...)

C Estudos recentes comprovam que 70% das crianças com TDAH mantêm o diagnóstico até os 14 anos e alguns casos por toda a vida.

Sintomas x Desenvolvimento

Ø  Pré-escolares: hiperatividade, dificuldade em aceitar limites e tolerar frustrações.
Ø  Idade escolar: sintomas combinados e bastante variável nas duas áreas.
Ø  Adolescência: mais desatenção e impulsividade

Tipos de TDAH

Ø  Desatento
Ø  Hiperativo/Impulsivo
Ø  Combinado
Ø  Não específico

Sintomas

Ø  Desatento:
           -    Não presta atenção a detalhes ou comete enganos por descuido
-          Dificuldade de atenção em tarefas e/ou jogos
-          Dificuldade de seguir instruções e/ou terminar tarefas
-          Desorganização com tarefas e materiais
-          Evita atividades que exijam esforço mental continuado
-          Perde objetos necessários às atividades
-          Distrai-se com facilidade
-          Esquece compromissos / tarefas diárias
-          Parece não ouvir
            C Como diagnosticar TDAH – Desatento:
-          Seis ou mais sintomas de desatenção
-          Poucos têm sintomas de hiperatividade/impulsividade
-          Mais comum em meninas
-          Parece mais associado à dificuldade de aprendizagem

Ø  Hiperativo – Impulsivo:
-          Inquietação (remexe os pés e mãos quando sentado)
-          Não pára sentado muito tempo
-          Pula, corre muito sem destino (“bicho-carpinteiro”); em adulto (sentimento de inquietação)
-          É muito barulhento / È muito agitado
-          Fala excessivamente
-          Responde antes de se terminar de perguntar
-          Dificuldade de esperar sua vez
-          Intromete-se em conversas e jogos alheios
         C Como diagnosticar TDAH – Hiperativo/Impulsivo:
-          Seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade
-          Pouco ou nenhum sintoma de desatenção
-          Parece mais comum em crianças menores
-          Associado a maiores dificuldades de relacionamento com colegas
-          Tem mais problemas de comportamento

Ø  Combinado (o verdadeiro TDAH):
-          Apresenta sintomas dos dois conjuntos de critérios
-          Parece estar associado a maiores prejuízos globais na vida da criança
         C Como diagnosticar TDAH – Combinado:
-          Seis ou mais sintomas de hiperatividade/impulsividade e de desatenção

Ø  Não Específico:
-          Apresenta características em número insuficiente para um diagnóstico completo
-          Ainda assim, pode desequilibrar a rotina diária

Diagnóstico Geral

1.    Considerar múltiplas facetas: intelectual, social e emocional
2.    Depressão g falta de atenção
3.    Delinqüência g impulsividade
4.    Co-morbidade – considerar
-          Mais importante: histórico clínico e do desenvolvimento, exame médico = diagnóstico diferencial
-          Conjugar dados com diversos adultos que convivem com a criança (professores, pais, parentes e amigos)
5.    Mínimo de seis sintomas
6.    Presença freqüente (não ocasional)
7.    Apresentar em 2 ambientes diferentes (casa e escola)
8.    Início dos sintomas - antes dos sete anos (visão clássica)
9.    Modernamente (pode aparecer após e até os 12 anos +/-)
10. Se só aparecer na adolescência = raramente é TDAH
11. Ferramentas auxiliares (médico e/ou psicólogo)
-          Escala de Conners (p/ pais e professores)
-          Escala de Problemas de Atenção do Inventário de Comportamentos de Crianças e Adolescentes (p/ pais e professores)
-          Escala de Inteligência de Wechsler p/ Crianças (teste psicológico)
-          Testes Neurológicos (teste médico)
12. Diferenciação difícil: hiperatividade x criança ativa

Tratamento

q  Intervenção precoce = grande passo
q  Exige intervenções múltiplas:
1.    Esclarecimento familiar sobre TDAH (c/ profissional de saúde mental)
2.    Psicoterapia (às vezes)
3.    Apoio com psicopedagogo e/ou reforço escolar de conteúdos
4.    Medicação
5.    Orientação de manejo p/ a família
6.    Orientação de manejo p/ os professores
q  Correção de conceitos e rótulos
q  Esclarecimento de aspectos essenciais sobre a síndrome

Þ    Apoio Psicoterápico:
-          Necessário na maior parte das vezes; iniciar com crianças menores
-          Estudos indicam como base: estratégias cognitivo-comportamentais
-          Atuação sobre os sintomas de ansiedade, depressão, baixa auto-estima ... (muitas vezes acompanham)

Þ    Intervenção Psicopedagógica
-          25 a 30% apresentam também problemas de aprendizagem secundários ou associados ao TDAH
-          Diagnóstico tardio (lacunas maiores a serem reconstruídas)
-          Apenas reforço de aprendizagem não resolve seqüelas que ficaram
-          Atendimento pedagógico depois (prevenção de novas lacunas)

Þ    Medicação
-          Responsabilidade do médico que atende a criança
-          Estudos mostram melhora clara em cerca de 70% dos casos
-          Teste terapêutico é necessário p/ se estudar a resposta da criança e avaliar cuidadosamente
-          Nem todas precisam de medicação (c/ sintomas leves)
-          Maioria necessita evitar/diminuir prejuízos significativos em suas vidas
-          Mais usado e estudado: estimulantes e antidepressivos
-          Agem aumentando a disponibilidade dos neurotransmissores
-          Avaliação individualizada pelo médico – além de levar em conta os outros sintomas e diagnóstico de co-morbidade
-          Riscos em geral muitos pequenos se usados corretamente
-          Riscos da medicação = comparar c/ às conseqüências da não utilização

Orientação aos Pais

Þ    Estabeleça as prioridades
1.    Relacione as dificuldades e hierarquize
2.    Ataque a maior primeiro
3.    Só depois de vencida, passe a outra
Þ    Pense antes de agir
1.    Não tome atitudes de forma precipitada
2.    Relacione uma de cada vez
3.    Propor tarefas pequenas
Þ    Use o reforço positivo (recompensa) antes da punição (ressaltar progressos / evitar críticas constantes)
Þ    Constância – não abandonar logo = resultados podem custar
Þ    Mesmas atitudes em todos os ambientes
Þ    Agir da mesma forma: pai e mãe
Þ    Comunique-se com clareza e de forma eficiente
Þ    Instruções claras / pedidos feitos um a um
Þ    Limites claramente definidos
Þ    Propicie atividade física regular / prefira as que tenham regras e limites

Orientação aos Professores

Þ    Converse com a criança as formas em que aprende melhor
Þ    Alterne as estratégias e recursos até ter certeza do estilo de aprendizagem do aluno:
-          Comece com atividades simples
-          Encoraje-o com freqüência
-          Coloque-o perto de você na sala de aula
Þ    A cada semana converse privadamente com a criança / informando-a como está se saindo nas aulas
Þ    Agenda diária para comunicar-se com os pais e outros profissionais que lidam com a criança
Þ    Deixe as regras de funcionamento da classe em local bem acessível
Þ    Regras curtas e claras
Þ    Use o mais possível jogos como tarefas = motivação maior, concentração idem
Þ     Reduza os testes cronometrados = reforçam a impulsividade e ansiedade
Þ    Avalie qualitativamente = essencial é que aprendam

Prognóstico
  Mais sujeito a fracasso escolar
  Dificuldades emocionais na família e na escola
  Menos desempenho, quando adultos, em termos profissionais
  Identificação precoce + tratamento = obstáculos podem ser vencidos


                Clarissa Santos Silva
CRP – 02/3763

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